A minha independência sempre foi algo que prezava muito. Era algo que me define porque sempre apreciei não depender de ninguém para avançar. Aprendi a língua inglesa sozinha; aprendi HTLM e CSS sozinha; aprendi a mexer no computador sozinha; aprendi a pesquisar as minhas perguntas sem precisar de ninguém. Talvez porque a vida me obrigou a depender de mais ninguém além de mim, mas é algo que sempre gostei. 
A mais pura das ironias é que, em certa parte, perdi a minha independência.  A liberdade que tinha de controlar os meus sentimentos e estados de espírito evaporou-se. Acabaste por me tornar viciada no teu bem-estar para conseguir ter o meu. A tua felicidade deixa-me feliz, se estiveres triste assim ficarei, o teu sorriso provoca o meu e isto soa tão patético e cliché e meio que me revolta por me deixar influenciar pela tua alma. Reviro os olhos a mim própria por deixar que um forasteiro roube o meu equilíbrio.  Dá-me vontade de te bater por me deixares vulnerável com o teu olhar e palavras. No entanto, dá-me vontade de te beijar por aceitares a minha sensibilidade e medos, por afagares tanto o bem como o mau. E, apesar de assustada, estou estranhamente confortável com o facto de saberes quem sou, os erros que cometi, o quão chata e carente consigo ser, o quão eléctrica fico quando estou com sono ou a minha falta de habilidade de dançar. Estou dependente da maneira não-independente em que me transformaste.
O tempo passou e não consigo habituar-me à ideia de que acabou. A minha mente não associou que foste e que não voltarás. Estranhamente, escrever sobre a morte foi fácil anteriormente mas agora que a vivienciei é tão difícil encontrar as palavras certas para organizar os pensamentos. Na minha cabeça era apenas um pesadelo do qual ia acordar e ia suspirar de alivio. Não foi. Não sei como me sentir porque simplesmente tenho feito de tudo para não pensar em ti naquele caixão. Não eras tu: a tua face não estava tão redonda como aquela criatura que estava deitada naquela caixa. Sempre me disseram que eras um bom homem e eu acredito que sim, a igreja estava repleta de pessoas e lá fora ainda mais. Vi tanta gente naquele espaço desagradável, nunca pensei ser possível uma imagem assim. Desculpa se te estou a desiludir por me lembrar de ti e chorar mas não consigo evitar. Sei que estás melhor aí em cima, a iluminar os terráqueos e o seu deambular, mas dói na mesma saber que o solo te engoliu de vez e que afinal isto é a realidade. Vi a terra a ser deitada por cima de ti e foi quando caí em mim: partiste.

Outra Estrela No Céu

by on fevereiro 18, 2017
O tempo passou e não consigo habituar-me à ideia de que acabou. A minha mente não associou que foste e que não voltarás. Estranhamente, esc...
Este será o ano em que farei vinte anos e aqui estou eu, a deambular entre almas perdidas e escondidas que procuram encontrarem-se e mostrarem-se mas que não há coragem para tal. Sinto-me inerte mesmo continuando, inapta de descobrir aquilo que me parece fazer falta. Não sei como manter-me coerente neste mundo de inconscientes e desconhecedores humanos que preferem praticar a maldade e serem impiedosos com quem algo de diferente tem. Perdi algo e não sei o quê. O meu espelho parece fragmentado, não reflectindo com precisão o que sinto. A desordem instalou-se no meu ser, deixando-me desorientada, sem saber que rumo tomar. Até agora apenas tinhas uma escolha a fazer e, de repente, com tantas hipóteses que podem definir o meu futuro, estou presa entre a racionalidade e a irracionalidade, entre o que é certo e o menos certo. De certa forma, até o menos certo se torna correto, dependendo do ponto de vista. Tenho de seguir a minha intuição mas ela não clarifica o que é necessário fazer. Tenho de fazer o que me parece bem mas nada parece bem suficiente porque me sinto num impasse mental e sentimental. O que me vai na alma está turvo e sinto que limpar a sujidade de nada iria resultar. Há uma voz, uma força desconhecida que me diz para continuar mesmo que não saiba o que fazer mas de que adianta se sinto que estou a perder tempo valioso? Inspiro e expiro, tento concentrar-me no que o meu espírito diz mas há demasiado alvoroço e atividade para ouvir apenas uma única coisa. Após este tempo todo e a pensar que iria saber o que fazer quando fosse mais crescida e estou mais perdida e exposta a todos os níveis porque a minha perspetiva alargou. Honestamente, nunca pensei chegar aos dezoito anos e ultrapassei essa meta. Percebi que, afinal, consigo coisas que nunca pensei conseguir e, de algum modo, isso assustou-me e abriu-me a novas experiências emocionalmente esgotantes, de uma maneira boa e má. Quando antes pensava que tudo ia dar errado e não me importava, agora tenho uma pequena esperança que me diz que talvez as coisas não dêem errado. Ainda assim, o facto de me deixar iludir e acabar por dar tudo para o torto deixa-me instável porque agora tenho algo a perder. Não há como me perder se nunca me encontrei realmente, mas perderia o pouco que me encontrei.

Perdida No (Des)Conhecido

by on janeiro 15, 2017
Este será o ano em que farei vinte anos e aqui estou eu, a deambular entre almas perdidas e escondidas que procuram encontrarem-se e mostra...
Escrevo mas continuo sem ser boa com palavras quando tenho de falar sobre o que sinto. O que é que eu sinto mesmo? A questão é um tanto subjetiva e não sei bem o que responder. Tu. És tu quem sinto dentro de mim. As memórias de nós tocam inesperadamente na minha mente, fazendo-me sorrir por sermos tão estranhos juntos e parecer tão certo. Como é que poderia adivinhar ou, até, imaginar que isto iria acontecer? As tuas palavras não foram propositadas para me acalmar mas tiveram esse efeito. O teu toque moldou-me a alma, criando marcas de ti em mim. A tua voz! A voz que me faz sorrir cada vez que a ouço e a voz que me faz sentir segura. O teu sorriso, os teus olhos, o teu cabelo. É desconhecido, para mim, isto que se está a passar mas não trocaria por nada. O quão lamechas isto soa e o quão impressionada estou comigo por estar a escrever isto. Tornei-me numa daquelas pessoas que racionaliza o amor mas não consegue tornar menos piegas a descrição da palavra ou a descrição de ti.  Tudo tem um propósito mas parece ter sido tão acidental, demasiadas coincidências. Estava às escuras mas tu não me iluminaste, caminhaste comigo mesmo não sabendo o que irias encontrar. Uns caminhos são largos, outros apertados, uns mais escuros que outros, mas aqui estamos nós: ainda caminhando à procura de algo que nem sabemos. O caminho não para visto que é uma longa jornada, todavia, espero que não te canses pelo caminho como antes fizeram.

Sinto-te Dentro de Mim

by on janeiro 06, 2017
Escrevo mas continuo sem ser boa com palavras quando tenho de falar sobre o que sinto. O que é que eu sinto mesmo? A questão é um tanto sub...
As pessoas acabam por me perguntar porque é que não tiro fotos de mim ou porque escrevo. Eu respondia sempre “porque sim” visto que a resposta parecia-me óbvia. Eu não quero recordar-me fisicamente. Eu sei como o meu aspeto exterior é, como fui. Olhos verdes, cabelo louro escuro, pele branca, unhas roídas. Aquilo que quero recordar é o que me envolve. A mente é algo muito engraçada no ser humano. É a mente que nos comanda, que nos faz tomar decisões, que nos ajuda a recordar o passado. Há certas memórias que permanecem no teu lobo temporal como se fossem vividas há um dia atrás quando já se passaram anos. Há outras memórias que, sem impacto nenhum, se foram desvanecendo do teu ser. A cada dia, as velhas recordações vão ser substituídas por novas, os novos conhecimentos vão ficando entranhados e os velhos serão levados pelo vento. É essa a rotina – sem ela, o cérebro acumulava tanta informação que acaba por nos deixar malucos. E é por isso que decido fotografar algo que não seja eu. O meu físico não irá alterar muito, mesmo que pinte o cabelo ou me bronzeie. No entanto, o meu íntimo, as emoções e sentimentos que senti naquele momento, a forma como os objetos de observação se encontram posicionados de forma harmoniosa na hora que tiro a fotografia, as minhas ideias e pensamentos, o pôr-do-sol, aquela flor que pediu para ser capturada pela sua beleza, tudo isto acaba por mudar. A vida tornou-se efémera a partir do momento em que és criado e não há maneira de a guardar toda a não ser através de meios visuais e escritos. A necessidade de capturar o mutável é enorme já que a mudança é aquilo que te faz evoluir.

Capturar o Mutável

by on dezembro 14, 2016
As pessoas acabam por me perguntar porque é que não tiro fotos de mim ou porque escrevo. Eu respondia sempre “porque sim” visto que a respo...
Será coincidência ou destino? Não achas anormal tudo o que acontece entre nós? Era suposto seguirmos caminhos afastados e, no entanto, aqui estamos nós. O tempo afasta-nos e junta-nos. De novo. E de novo. E de novo. E o sentimento volta a cada encontro entre as nossas almas. E sempre que vais dói. Só algo forte pode doer assim tanto. Oh! Quão bom é poder tocar no teu ser. Saber-te vibra-me o pensamento, o espírito! Intrigas-me, confundes-me. Deixa-me tornar-te eterno com a poesia escrita da minha mente. Sê a inspiração que me falta. Dita-me novos sentimentos, novos adjetivos, novas experiências. Ou dita os inventados. Não importa, apenas salienta o que sentes. Não te voltes afastar, aproxima-te ainda mais e eu mostro-te como ficar.  Quero perder-me em ti como se me perdesse por entre as minhas fantasias. De novo. E de novo. E de novo. Nada melhor do que me perder em algo gratificante, não achas? Somos o preto e o branco em pessoa, somos arte não acabada. Vamos terminar a tela incompleta um do outro. Pronuncia os nossos nomes. De novo. E de novo. E de novo. Deixa-os ecoar na tua mente. Não soam bem juntos? Cria o nosso futuro, fá-lo romper a utopia que criei para, em seu lugar, criar a nossa realidade. Irrita-me da maneira que só tu consegues irritar para te poder matar com a doce tortura que percorre os meus pensamentos. As sinapses são tão rápidas quando estou contigo que chego a perder o foco em tudo, menos em ti. Eu procurava-te mas, iludida da vida, via-te mas não te via. E agora encontrei-te, finalmente.

De novo IV

by on junho 15, 2016
Será coincidência ou destino? Não achas anormal tudo o que acontece entre nós? Era suposto seguirmos caminhos afastados e, no entanto, aqui...
É fácil deixar alguém para trás - o que magoa é a esperança que espreita sempre. A esperança de pensar que não está totalmente acabado, de que ainda vale a pena, de que as coisas vão voltar ao mesmo. Mas as coisas nunca voltam ao mesmo. A desilusão acontece uma e outra vez e acabas por criar anti-corpos, imunidade perante a pessoa que te magoou. E de repente parece que consegues respirar novamente. É como se durante aquele tempo estivesses debaixo de água a suster a respiração e depois voltas à tona onde tudo é claro e percetível. Como é óbvio, ainda demoras um tempo a recuperar de tanto tempo que ficaste sem ar mas depois relaxas e sorris porque sobreviveste à partida de alguém. Levaram um parte de ti mas continuas a nadar e continuas a respirar e continuas a lutar contra a corrente, por muito cansada que estejas. Há cansaços que valem a pena e este é um deles porque por cada vez que te partem o coração é um coração partido mais perto daquela pessoa que te vai ajudar a reconstruir-te. E "aquela pessoa" pode muito bem seres tu mesma, ser "aquela pessoa" nova que se transformou e renasceu. E aí reparas que afinal a pessoa que te magoou, que pensaste que não conseguias viver sem, está bem longe e está tudo bem. Porque se calhar as pessoas não são feitas para ficarem juntas. Nem mesmo as casadas. O sempre não existe e o pouco tempo que vivemos é para termos experiências e apenas viver. Há pessoas que ficam pouco tempo e marcam para o resto da tua vida e há pessoas que ficam anos contigo e simplesmente não te tocam com tanta intensidade. Talvez as pessoas sejam mesmo feitas para serem temporárias - umas ficam mais tempo que outras.

Pessoas e pessoas

by on maio 07, 2016
É fácil deixar alguém para trás - o que magoa é a esperança que espreita sempre. A esperança de pensar que não está totalmente acabado, de ...
O incerto faz-me cair nas minhas próprias profundezas do vazio. Algo falta. Alguma coisa de muito importante desapareceu e pareço não me lembrar do quê. Eu perdi-me, talvez seja isso. A minha essência mistificou-se. Será que alguma vez a tive? Será que alguma vez soube quem era para poder agora dizer que me perdi? As palavras saem por entre os meus lábios mas não descrevem o que sinto. Como descrever o indescritível? Como definir algo supostamente abstrato? O que é suposto se fazer quando não se sabe como fazê-lo? O que é suposto dizer quando não se sabe como dizê-lo? O que acontece quando se diz as palavras certas no tempo e pessoa errada? O que acontece quando se diz as palavras erradas no tempo e pessoa certa? Será que tem repercussões? O que está acontecer? O tempo parece ter estagnado mas, simultaneamente, passa apressado como se tivesse pressa para fazer algo. Até o tempo sabe o que fazer e eu não. Ilusões e desilusões, sentimentos pensados e sentidos, incertezas e carências, ausências e silêncios. O desconhecido assombra-me, deixando-me desnorteada. Porquê?

Incertezas

by on abril 11, 2016
O incerto faz-me cair nas minhas próprias profundezas do vazio. Algo falta. Alguma coisa de muito importante desapareceu e pareço não me le...