Vivemos numa sociedade onde a rapidez se tornou um paradoxo no quotidiado. Temos todas a informação que queremos na ponta dos nossos dedos, libertando a nossa curiosidade sobre qualquer tópico possível e imaginável. Torna-se difícil haver um estado de calma para possibilitar o processamento da informação que recebemos.
As viagens cada vez menos demorosas, as telecomunicações que nos ajudam a enviar mensagens para o outro lado do mundo e são recebidas em tempo real, a forma como as ideias e os valores são espalhados pelos sete biliões de pessoas – tudo isto cria uma imagem na nossa cabeça em que tudo tem de ser com rapidez. A rapidez de querer perder a virgindade, a rapidez de ter certa aparência, a rapidez de amar, a rapidez de crescer, a rapidez de saber coisas, rapidez de ser-se adulto.
A ânsia de percorrer os caminhos das primeiras vezes torna-se uma prioridade como se fosse uma maneira de mostrar quem é o melhor.
Nunca fui o tipo de pessoa que cedia a pressão por parte dos amigos, mas sei de casos em que levou a erros que não são agradáveis de reviver. Sempre soube o que era benefício ou não para mim, tanto que até à universidade sempre segui o plano que ditei para mim mesma.
As minhas primeiras vezes foram o que muitos consideram tarde mas, para mim, foram na altura acertada e mais que acertada - perfeita, eu diria.
A primeira vez que fumei foi no décimo primeiro ano. Tenho a perfeita noção de que o tabaco faz mal, no entanto, a curiosidade de saber o porquê de as pessoas adorarem aquela substância chamou por mim. Ora, eu sei que o que vicia é a nicotina que está lá presente, mas para se ficar viciado ainda demora uns dias, semanas. Devo dizer que odiei o sabor e tudo em si. O fumo dá-me dores de cabeça e o cheiro que entranha no meu cabelo e nas minhas roupas irrita-me. Não consigo evitar senão rir com isto, mas às vezes dá mesmo vontade de bater nas pessoas que fumam perto de mim. Peço desculpa!
A primeira vez que bebi café estava no secundário, mas comecei a beber mais continuamente na universidade. Isto porque, obviamente, eu dormia pouco e tinha de estar atenta às aulas e enquanto estudava. Eu achava que fazia efeito, até que percebi que não. Na verdade, dependia das vezes. Uns dias dava ainda mais sono, outros deixava-me elétrica para caramba! Agora deixei de tomar pois para dar sono ou ficar elétrica já o faço sem ajudas.
A primeira vez que bebi álcool foi, novamente, na universidade. Sempre tive curiosidade em experimentar só que não sabia bem com o que começar. Tequila. (NOTA: Não estou a incentivar a bebida.) A ardência pela garganta abaixo é algo um tanto aditiva porque, além de saber bem, tornou-me mais extrovertida - o normal do álcool. Não, nunca fiquei bêbeda e não desejo ficar. O meu desejo por controlo deixa de lado a vontade de perder os meus sentidos e não saber o que faço.
A primeira vez que beijei alguém no no quinto ano. Vou só dizer que foi... embaraçoso. Nem vou partilhar isso.
A primeira vez que namorei foi no sexto ano. Eu não sabia bem o que era o amor, mas sabia que sentia mais do que atração física pelo rapaz. Foi algo muito instável e durou um ano, mas foi a primeira vez que percebi que se calhar eu não era má de todo e havia alguém que gostava de mim.
A primeira vez que amei alguém foi no décimo segundo ano. Na minha cabeça, o amor era suposto doer porque era como uma doença que nos infetava o corpo todo. Doía amar aquela pessoa porque significava que gostava dela. Rebaixei-me e deixei-me levar pelas chantagens emocionais porque amei mais a ele do que a mim mesma. Perdi-me para o poder amar invés de me amar para não me perder. 
A primeira vez que tive o coração partido foi exatamente com esse rapaz. Aquele que eu pensava que me amava mesmo amando mais raparigas. Fazia-me sentir insuficiente, mas não me permitia pensar que era por causa dele, não. A culpa era minha por não ser suficientemente boa para ele. Eu é que devia ser mais e melhor para que ele olhasse só para mim. Enganei-me. Não é o amor que doí, é a pessoa que diz amar sem saber. 
A primeira vez que entendi o amor não é suposto doer foi no ano passado. Estou a descobrir aos poucos o que é realmente o amor porque não é uma pessoa dar mais do que a outra. Amar é igual dedicação e atenção por ambas as partes; É cuidar, é entender, é respeitar e valorizar o outro. 
A primeira vez que fiz sexo foi um pouco tarde, dizia toda gente. A verdade é que, para o que é considerado "normal", foi tarde. Eu acho que foi o momento certo. Não foi apressado, não foi uma experiência má, foi com alguém que confiava e que amava.
Vive-se numa era em que tentasse precipitar tudo não vivendo realmente os momentos, não se pensando bem no que se está a fazer. É necessário desacelerar as nossas vidas e os nossos pensamentos para encontrar um certo gozo no presente. Não tenhas urgência para experimentar tudo de uma só vez só porque pensas que estás atrás dos outros. Cada um tem o seu ritmo de crescimento. E está tudo bem em não fazer as coisas ao mesmo tempo do que toda gente. Leva o teu tempo.

✿ a primeira vez.

by on maio 06, 2017
Vivemos numa sociedade onde a rapidez se tornou um paradoxo no quotidiado. Temos todas a informação que queremos na ponta dos nossos ded...

Aqui estou, em frente ao computador a tentar decidir se vou estudar ou se continuo a escrever. Uma onda de nostalgia me atinge ao fazer a mudança do blogs sapo para o blogspot. Relembrar tudo o que havia escrito naquele simples blog e o que me disseram pelas palavras que leram no mesmo. Inspiro e expiro na tentativa de encontrar uma luzinha de incentivo para uma das partes do meu dilema. Estou a tentar criar novas mudanças na minha vida para sair da minha zona de conforto. Mudanças sempre foi algo que me assustou pois eu, sendo uma maniaca por controlo, não pensaria em fazer algo espontâneo pois não podia controlar o que podia acontecer. Hoje estou decidida a mudar isso. Preciso de me aventurar a novos desafios. Dessa forma, decidi criar um novo começo na história do meu blog onde postarei mais do que palavras soltas que deambulam na minha mente. Será algo mais diversificado e, espero eu, inspirador. Então, olá pessoal. Sou a Rain e este é o meu blog, uma espécie de diário público.

um novo começo.

by on maio 03, 2017
Aqui estou, em frente ao computador a tentar decidir se vou estudar ou se continuo a escrever. Uma onda de nostalgia me atinge ao fazer...
Quero dormir contigo. De novo. E de novo. E de novo. Quero sentir o calor do teu corpo no meu, a tua pele suada friccionando a minha. A maneira como o teu toque envia electricidade para dentro de mim, causando uma dolorosa e calorosa sensação de prazer. Beija-me. De novo. E de novo. E de novo. Torturas-me para me fazeres implorar para te ter porque sabes que admitir isso me deixa vulnerável. Queres deixar-me despida, não só fisicamente como mentalmente. Queres que deixe de lado os meus medos e pesadelos para me entregar inteiramente a ti. Queres possuir-me ao invés de ser os meus demónios a possuírem-me. Estimula o meu corpo, estimula a minha mente. Aproxima-te e afasta-te.  De novo. E de novo. E de novo. Deixa-me sentir a tua entrega a mim. Deixa-me sentir-te dentro de mim. Aquece-me ao ponto de querer explodir, no entanto, nunca é suficiente. Preciso de uma nova sensação. Preciso do curto-circuito que provocas no meu corpo. Preciso do acelerar da respiração e do coração. Preciso de todas as sensações que despertas do meu ser. De novo. E de novo. E de novo.  Olha para nós: dois loucos que se riem enquanto estão nus, que se olham com o desejo de se querem fundir, que criaram a uma realidade paralela só nossa. O quarto tornou-se um refúgio, abafando todos os problemas e as frustrações são descarregadas em atos prazerosos. Então vamos explodir um ao outro, um com o outro, um contra o outro, um em cima do outro. De novo. E de novo. E de novo.

De Novo V

by on maio 03, 2017
Quero dormir contigo. De novo. E de novo. E de novo. Quero sentir o calor do teu corpo no meu, a tua pele suada friccionando a minha. A man...
Num mundo cheio de pessoas usando máscaras, encontra-se mais depressa o impulso de encontrar alguém para nos completar do que encontrar o que falta de nós mesmos. Vive-se nesta ideia utópica que é com outra pessoa que iremos ser feliz e abandona-se a realidade de que enquanto não estivermos satisfeitos connosco mesmos, outras relações podem muito bem ir por água abaixo. É tão bom enumerar todas as qualidades que se quer encontrar na tal pessoa que irá fazer o nosso mundo radiar de energia e de felicidade quando não perdemos tempo o suficiente em melhorar quem nós somos. Seres imperfeitos, incompletos, com tanto ainda por descobrir e aprender, tem-se a tendência de procurar a melhor pessoa de todas ao invés de sermos a melhor pessoa. Se não consegues estar sozinho, se tens a necessidade constante de estar com alguém romanticamente, então algo se passa. A futilidade de querem estar com alguém só para terem likes ou para serem goals de jovens virou uma cultura prezada por muitos. Os contos clássicos querem criar esta concepção de que só se é realmente feliz quando se encontra o príncipe encantado. Não. 
Nós é que temos de ser os nossos próprios príncipes e princesas. A princesa não precisa de um príncipe para a salvar, e vice-versa. Temos de ser quem queremos encontrar. É a única maneira de não depender dos outros para ser feliz. 
NOTA: uso do calão.
Como dizer isto sem parecer rude ou fria: A automutilação e doenças mentais são fodidas. A ansiedade, ou a depressão, ou automutilação não vão trazer felicidade, muito pelo contrário. As pessoas e, muitas das vezes, livros e filmes, dão esta ideia de que a menina com a cabeça confusa e que é tímida e tem depressão e se corta vai arranjar um rapaz e vão ser felizes para sempre. Não. Digo por experiência própria quando isso está longe de estar correto. Sim, pode aparecer alguém que vos ame e que vocês amam de volta, no entanto, estes estados mentais vão foder tudo. Vão trazer medos, desconfianças, discussões, ataques de pânico, vão corroer o que a relação tem. Isto pode acontecer. Por muito que vocês amem ou alguém vos ame, esta é a realidade. Ninguém vai ser a vossa âncora. Aliás, ninguém, além de vocês mesmos, pode ser a vossa âncora. Vocês não podem depositar a vossa felicidade e o vosso bem-estar nas costas de alguém porque, caso essa pessoa vá embora, vocês vão voltar à mesma instabilidade de antes. Sei que me vão dizer que é muito fácil falar e que não sei o que digo. No entanto, eu sei perfeitamente o que digo. Tive de ser eu a puxar-me sozinha para cima. Sim, tenho amigos, na altura também tinha, mas tive de querer realmente melhorar para conseguir mais. Não estou perfeitamente bem ainda, longe disso. Para ser sincera, às vezes ainda penso que estou pior que antes. Porém, a ajuda tem de vir de dentro de vocês porque não vai ser amigos, psicólogos, família que vai ajudar porque vocês não vão aceitar ajuda a 100% se não estiverem determinados. E não importa o quão fodido é arranjar a vontade própria de se levantarem: se vocês conseguiram aguentar até hoje, a sobreviver dia após dia (ainda que estando uma merda), irão conseguir arranjar a força um dia, eu sei que sim. Apenas aguentem mais um pouco, eu acredito em vocês.
O teu corpo contra o meu, sentindo-te cada célula. O teu calor contrastando com o frio que teima em percorrer-me o corpo, causando uma doce sensação. A intimidade entre tu e eu não está no facto de estarmos nus um contra o outro. A intimidade provém do negro que sabes que percorre os meus sentimentos e o que sei que percorre os teus. Não sei se posso dizer "nós" quando me refiro a ti e a mim porque não sei se somos um. Somos personalidades bastante diferentes que se dão bem e, ocasionalmente, dão-se mais que bem. Será que posso chamar “nós” a isso, a isto? Aquilo que estou disposta a fazer por ti, tu podes não estar disposto a fazer por mim. E tudo bem. Não te peço nada em troca além de sinceridade. Não peço que me ames, não peço que me entendas, não peço que me ouças, não peço que me esperes, não peço que me atures e, no entanto, tu fazê-lo. Será isso um “nós”? A incerteza está escrita no nosso rótulo, assustando-me e aliviando-me. Não há sentimentos a mais que possam interromper a nossa harmonia saborosa. Apenas a tensão entre nós que causa um acender de fogo inexplicavelmente bom. A minha curiosidade pelo desconhecido aguça ao olhar para ti, vendo-te tão inexplorado por mim. Deixa-me sentir-te, deixa-me descobrir-te, deixa-me beijar-te, deixa-me aproximar, deixa-me calar-te, deixa-me.

Deixa-me

by on maio 03, 2017
O teu corpo contra o meu, sentindo-te cada célula. O teu calor contrastando com o frio que teima em percorrer-me o corpo, causando uma doce...
“Não existe cultura de violação porque isso significa dizer que a culpa está na sociedade e não no indivíduo.” Esta foi a desculpa que uma rapariga disse ao ser questionada se a cultura da violação existia. Esta É a desculpa que muito ser humano usa para retirar a culpa do que fazem. A culpa nunca é do que ensinam implícita ou explicitamente, é apenas daquele indivíduo como se ele fosse uma excepção, uma falha humana.
A Cultura da Violação existe sim e a culpa é, sim, da sociedade.
A partir do momento em que as raparigas são ensinadas em que se devem proteger dos rapazes mas nada é dito aos rapazes sobre não serem desrespeitosos para as raparigas, a culpa é da sociedade.
A partir do momento em que se instrui ao rapaz que ele deve mostrar superioridade sobre a rapariga, que não deve mostrar sentimentos porque isso o torna fraco, que deve mostrar que é “macho”, a culpa é da sociedade.
A partir do momento em que há quem diga que o homem é fisicamente impossível ser violado por uma mulher porque, supostamente, a mulher é fraca e se esquecem que a pressão psicologia é um fator da violação, a culpa é da sociedade.
A partir do momento em que culpem as roupas que a rapariga usa, culpem a rapariga por beber ou se drogar, culpem a rapariga por andar sozinha na rua, culpem a vítima pelo crime, a culpa é da sociedade.
A partir do momento em que se é obrigado a casar com alguém e, consequentemente, afirmem que a mulher tem de obedecer ao homem porque namoram ou estão casados, a culpa é da sociedade.
A partir do momento em que os rapazes insultam as raparigas de mil e um nomes por não aceitarem fazer sexo com o rapaz, a culpa é da sociedade.
A partir do momento em que os próprios pais criam barreiras de desigualdade entre os filhos porque um é um rapaz e a outra é rapariga, a culpa é da sociedade.
A partir do momento em que familiares abusam de crianças/adolescentes e há quem tenha conhecimento mas não dizem nada, a culpa é da sociedade.
A partir do momento em que há grupos de rapazes aproveitarem-se de raparigas em público e ninguém faz nada, a culpa é da sociedade.
A partir do momento em que uma mulher tem de levar com piropos ou olhares na rua só porque tem um pouco mais de pele a ver-se e, caso não os aceite bem, é ofendida brutalmente, a culpa é da sociedade.
A culpa é da sociedade, ponto. A sociedade criar erros atrás de erros e nem se apercebe o quão negativamente afeta as gerações futuras. Perguntas descabidas, acusações à vítima, frases de “estão SÓ a divertir-se”.
A minha independência sempre foi algo que prezava muito. Era algo que me define porque sempre apreciei não depender de ninguém para avançar. Aprendi a língua inglesa sozinha; aprendi HTLM e CSS sozinha; aprendi a mexer no computador sozinha; aprendi a pesquisar as minhas perguntas sem precisar de ninguém. Talvez porque a vida me obrigou a depender de mais ninguém além de mim, mas é algo que sempre gostei. 
A mais pura das ironias é que, em certa parte, perdi a minha independência.  A liberdade que tinha de controlar os meus sentimentos e estados de espírito evaporou-se. Acabaste por me tornar viciada no teu bem-estar para conseguir ter o meu. A tua felicidade deixa-me feliz, se estiveres triste assim ficarei, o teu sorriso provoca o meu e isto soa tão patético e cliché e meio que me revolta por me deixar influenciar pela tua alma. Reviro os olhos a mim própria por deixar que um forasteiro roube o meu equilíbrio.  Dá-me vontade de te bater por me deixares vulnerável com o teu olhar e palavras. No entanto, dá-me vontade de te beijar por aceitares a minha sensibilidade e medos, por afagares tanto o bem como o mau. E, apesar de assustada, estou estranhamente confortável com o facto de saberes quem sou, os erros que cometi, o quão chata e carente consigo ser, o quão eléctrica fico quando estou com sono ou a minha falta de habilidade de dançar. Estou dependente da maneira não-independente em que me transformaste.
O tempo passou e não consigo habituar-me à ideia de que acabou. A minha mente não associou que foste e que não voltarás. Estranhamente, escrever sobre a morte foi fácil anteriormente mas agora que a vivienciei é tão difícil encontrar as palavras certas para organizar os pensamentos. Na minha cabeça era apenas um pesadelo do qual ia acordar e ia suspirar de alivio. Não foi. Não sei como me sentir porque simplesmente tenho feito de tudo para não pensar em ti naquele caixão. Não eras tu: a tua face não estava tão redonda como aquela criatura que estava deitada naquela caixa. Sempre me disseram que eras um bom homem e eu acredito que sim, a igreja estava repleta de pessoas e lá fora ainda mais. Vi tanta gente naquele espaço desagradável, nunca pensei ser possível uma imagem assim. Desculpa se te estou a desiludir por me lembrar de ti e chorar mas não consigo evitar. Sei que estás melhor aí em cima, a iluminar os terráqueos e o seu deambular, mas dói na mesma saber que o solo te engoliu de vez e que afinal isto é a realidade. Vi a terra a ser deitada por cima de ti e foi quando caí em mim: partiste.

Outra Estrela No Céu

by on fevereiro 18, 2017
O tempo passou e não consigo habituar-me à ideia de que acabou. A minha mente não associou que foste e que não voltarás. Estranhamente, esc...
Este será o ano em que farei vinte anos e aqui estou eu, a deambular entre almas perdidas e escondidas que procuram encontrarem-se e mostrarem-se mas que não há coragem para tal. Sinto-me inerte mesmo continuando, inapta de descobrir aquilo que me parece fazer falta. Não sei como manter-me coerente neste mundo de inconscientes e desconhecedores humanos que preferem praticar a maldade e serem impiedosos com quem algo de diferente tem. Perdi algo e não sei o quê. O meu espelho parece fragmentado, não reflectindo com precisão o que sinto. A desordem instalou-se no meu ser, deixando-me desorientada, sem saber que rumo tomar. Até agora apenas tinhas uma escolha a fazer e, de repente, com tantas hipóteses que podem definir o meu futuro, estou presa entre a racionalidade e a irracionalidade, entre o que é certo e o menos certo. De certa forma, até o menos certo se torna correto, dependendo do ponto de vista. Tenho de seguir a minha intuição mas ela não clarifica o que é necessário fazer. Tenho de fazer o que me parece bem mas nada parece bem suficiente porque me sinto num impasse mental e sentimental. O que me vai na alma está turvo e sinto que limpar a sujidade de nada iria resultar. Há uma voz, uma força desconhecida que me diz para continuar mesmo que não saiba o que fazer mas de que adianta se sinto que estou a perder tempo valioso? Inspiro e expiro, tento concentrar-me no que o meu espírito diz mas há demasiado alvoroço e atividade para ouvir apenas uma única coisa. Após este tempo todo e a pensar que iria saber o que fazer quando fosse mais crescida e estou mais perdida e exposta a todos os níveis porque a minha perspetiva alargou. Honestamente, nunca pensei chegar aos dezoito anos e ultrapassei essa meta. Percebi que, afinal, consigo coisas que nunca pensei conseguir e, de algum modo, isso assustou-me e abriu-me a novas experiências emocionalmente esgotantes, de uma maneira boa e má. Quando antes pensava que tudo ia dar errado e não me importava, agora tenho uma pequena esperança que me diz que talvez as coisas não dêem errado. Ainda assim, o facto de me deixar iludir e acabar por dar tudo para o torto deixa-me instável porque agora tenho algo a perder. Não há como me perder se nunca me encontrei realmente, mas perderia o pouco que me encontrei.

Perdida No (Des)Conhecido

by on janeiro 15, 2017
Este será o ano em que farei vinte anos e aqui estou eu, a deambular entre almas perdidas e escondidas que procuram encontrarem-se e mostra...
Escrevo mas continuo sem ser boa com palavras quando tenho de falar sobre o que sinto. O que é que eu sinto mesmo? A questão é um tanto subjetiva e não sei bem o que responder. Tu. És tu quem sinto dentro de mim. As memórias de nós tocam inesperadamente na minha mente, fazendo-me sorrir por sermos tão estranhos juntos e parecer tão certo. Como é que poderia adivinhar ou, até, imaginar que isto iria acontecer? As tuas palavras não foram propositadas para me acalmar mas tiveram esse efeito. O teu toque moldou-me a alma, criando marcas de ti em mim. A tua voz! A voz que me faz sorrir cada vez que a ouço e a voz que me faz sentir segura. O teu sorriso, os teus olhos, o teu cabelo. É desconhecido, para mim, isto que se está a passar mas não trocaria por nada. O quão lamechas isto soa e o quão impressionada estou comigo por estar a escrever isto. Tornei-me numa daquelas pessoas que racionaliza o amor mas não consegue tornar menos piegas a descrição da palavra ou a descrição de ti.  Tudo tem um propósito mas parece ter sido tão acidental, demasiadas coincidências. Estava às escuras mas tu não me iluminaste, caminhaste comigo mesmo não sabendo o que irias encontrar. Uns caminhos são largos, outros apertados, uns mais escuros que outros, mas aqui estamos nós: ainda caminhando à procura de algo que nem sabemos. O caminho não para visto que é uma longa jornada, todavia, espero que não te canses pelo caminho como antes fizeram.

Sinto-te Dentro de Mim

by on janeiro 06, 2017
Escrevo mas continuo sem ser boa com palavras quando tenho de falar sobre o que sinto. O que é que eu sinto mesmo? A questão é um tanto sub...
As pessoas acabam por me perguntar porque é que não tiro fotos de mim ou porque escrevo. Eu respondia sempre “porque sim” visto que a resposta parecia-me óbvia. Eu não quero recordar-me fisicamente. Eu sei como o meu aspeto exterior é, como fui. Olhos verdes, cabelo louro escuro, pele branca, unhas roídas. Aquilo que quero recordar é o que me envolve. A mente é algo muito engraçada no ser humano. É a mente que nos comanda, que nos faz tomar decisões, que nos ajuda a recordar o passado. Há certas memórias que permanecem no teu lobo temporal como se fossem vividas há um dia atrás quando já se passaram anos. Há outras memórias que, sem impacto nenhum, se foram desvanecendo do teu ser. A cada dia, as velhas recordações vão ser substituídas por novas, os novos conhecimentos vão ficando entranhados e os velhos serão levados pelo vento. É essa a rotina – sem ela, o cérebro acumulava tanta informação que acaba por nos deixar malucos. E é por isso que decido fotografar algo que não seja eu. O meu físico não irá alterar muito, mesmo que pinte o cabelo ou me bronzeie. No entanto, o meu íntimo, as emoções e sentimentos que senti naquele momento, a forma como os objetos de observação se encontram posicionados de forma harmoniosa na hora que tiro a fotografia, as minhas ideias e pensamentos, o pôr-do-sol, aquela flor que pediu para ser capturada pela sua beleza, tudo isto acaba por mudar. A vida tornou-se efémera a partir do momento em que és criado e não há maneira de a guardar toda a não ser através de meios visuais e escritos. A necessidade de capturar o mutável é enorme já que a mudança é aquilo que te faz evoluir.

Capturar o Mutável

by on dezembro 14, 2016
As pessoas acabam por me perguntar porque é que não tiro fotos de mim ou porque escrevo. Eu respondia sempre “porque sim” visto que a respo...
Será coincidência ou destino? Não achas anormal tudo o que acontece entre nós? Era suposto seguirmos caminhos afastados e, no entanto, aqui estamos nós. O tempo afasta-nos e junta-nos. De novo. E de novo. E de novo. E o sentimento volta a cada encontro entre as nossas almas. E sempre que vais dói. Só algo forte pode doer assim tanto. Oh! Quão bom é poder tocar no teu ser. Saber-te vibra-me o pensamento, o espírito! Intrigas-me, confundes-me. Deixa-me tornar-te eterno com a poesia escrita da minha mente. Sê a inspiração que me falta. Dita-me novos sentimentos, novos adjetivos, novas experiências. Ou dita os inventados. Não importa, apenas salienta o que sentes. Não te voltes afastar, aproxima-te ainda mais e eu mostro-te como ficar.  Quero perder-me em ti como se me perdesse por entre as minhas fantasias. De novo. E de novo. E de novo. Nada melhor do que me perder em algo gratificante, não achas? Somos o preto e o branco em pessoa, somos arte não acabada. Vamos terminar a tela incompleta um do outro. Pronuncia os nossos nomes. De novo. E de novo. E de novo. Deixa-os ecoar na tua mente. Não soam bem juntos? Cria o nosso futuro, fá-lo romper a utopia que criei para, em seu lugar, criar a nossa realidade. Irrita-me da maneira que só tu consegues irritar para te poder matar com a doce tortura que percorre os meus pensamentos. As sinapses são tão rápidas quando estou contigo que chego a perder o foco em tudo, menos em ti. Eu procurava-te mas, iludida da vida, via-te mas não te via. E agora encontrei-te, finalmente.

De novo IV

by on junho 15, 2016
Será coincidência ou destino? Não achas anormal tudo o que acontece entre nós? Era suposto seguirmos caminhos afastados e, no entanto, aqui...
É fácil deixar alguém para trás - o que magoa é a esperança que espreita sempre. A esperança de pensar que não está totalmente acabado, de que ainda vale a pena, de que as coisas vão voltar ao mesmo. Mas as coisas nunca voltam ao mesmo. A desilusão acontece uma e outra vez e acabas por criar anti-corpos, imunidade perante a pessoa que te magoou. E de repente parece que consegues respirar novamente. É como se durante aquele tempo estivesses debaixo de água a suster a respiração e depois voltas à tona onde tudo é claro e percetível. Como é óbvio, ainda demoras um tempo a recuperar de tanto tempo que ficaste sem ar mas depois relaxas e sorris porque sobreviveste à partida de alguém. Levaram um parte de ti mas continuas a nadar e continuas a respirar e continuas a lutar contra a corrente, por muito cansada que estejas. Há cansaços que valem a pena e este é um deles porque por cada vez que te partem o coração é um coração partido mais perto daquela pessoa que te vai ajudar a reconstruir-te. E "aquela pessoa" pode muito bem seres tu mesma, ser "aquela pessoa" nova que se transformou e renasceu. E aí reparas que afinal a pessoa que te magoou, que pensaste que não conseguias viver sem, está bem longe e está tudo bem. Porque se calhar as pessoas não são feitas para ficarem juntas. Nem mesmo as casadas. O sempre não existe e o pouco tempo que vivemos é para termos experiências e apenas viver. Há pessoas que ficam pouco tempo e marcam para o resto da tua vida e há pessoas que ficam anos contigo e simplesmente não te tocam com tanta intensidade. Talvez as pessoas sejam mesmo feitas para serem temporárias - umas ficam mais tempo que outras.

Pessoas e pessoas

by on maio 07, 2016
É fácil deixar alguém para trás - o que magoa é a esperança que espreita sempre. A esperança de pensar que não está totalmente acabado, de ...