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É impossível ficar a mesma pessoa para sempre. O ser humano é feio de mudanças, boas ou más. É preciso evoluir e adaptar-se às circunstâncias que lhe é apresentado, mesmo que não goste. O tempo e a vida mudam as perspetivas de tudo. As prioridades mudam. Os sentimentos mudam. As pessoas tornam-se substituíveis e esquecidas. Tornam-se meros conhecidos que passeiam neste mundo. As ligações entre os seres humanos funcionam de uma maneira muito simples: são os segredos e a vulnerabilidade que dão mais proximidade mas há o medo de, ao serem transparentes, se magoarem. Às poucas pessoas que se abrem, essas tornam-se instantaneamente mais ligadas, criando laços mais fortes. E tentar evitar o possível elo só piora porque o ser humano não consegue viver sozinha, necessita de contactos interpessoais para desenvolver.
As relações começam a deteriorarem-se com pequenos acontecimentos, pequenas ações que uma das pessoas nota. A confiança e a vontade de falar perde-se porque tudo o que te fazem é desapontar uma e outra vez. É um sentimento tão perturbador quando a imagem que tens de alguém começa a distorcer - ou, na verdade, a mostrar quem são - e a realização de que não irás conseguir ver a pessoa da mesma maneira magoa-te porque perdeste a fé de confiar nela.
A sensação de desconfiança consome o teu ser porque não foste capaz de perceber que aquela pessoa não é quem dizia ser. A pior parte é que não encontras forma de parar isso e sempre que a vês lembraste de como os vias e como os vês agora e entristece-te profundamente.
Começas a pensar que é tudo na tua cabeça, que está tudo bem, na verdade. Outras vezes pensas que és demasiado sensível, daí tudo te afetar profundamente. No final, percebes que as pessoas mudaram, mostraram-se, finalmente, e não podes fazer nada para voltar à ingenuidade que tinha sobre elas.  Deixas de ter qualquer significado para essa pessoa. 
Ou pode acontecer um afastamento mútuo em que não se passou nada e, cada vez que se falam, é como se o vínculo se ligasse novamente e os anos não passaram para destruir a afinidade. Conta-se as novidades, redescobre-se o quão bom é falar com a pessoa, reinventa-se o apego, sorri-se por ainda não ter acabado. 
É o ciclo das conexões humanas. É o normal de acontecer, só temos de saber lidar com isso.
(poema do livro milk and honey de rupi kaur)

É incrível como uma frase pode fazer-te sentir tantas coisas ao mesmo tempo. É incrível como algo pode mudar o teu humor de forma tão repentina que achas ser um pouco doida. A verdade é que estas palavras sábias chamaram as minhas memórias de pessoas. 
Não estou a querer falar no presente, felizmente. Acabei com a toxicidade que me havia rodeado e penetrado nos poros, como um veneno constante. Lembro-me de me sentir emocionalmente esgotada por cada momento que alguém usava a sua manipulação para cima de mim. A minha alma parecia desvanecer um pouco mais quando os seus poderes faziam efeito. Era como se me sugasse a determinação, a pouca determinação que restava em mim. Não adiantava se eu tentasse lutar para contrariar, era um quero-não-quero, um ciclo vicioso e doentio. Doentio mas bom. Tornava-se delicioso quando, por vezes, a sua magia funcionava ao contrário e eles é que precisavam de mim. Era eu quem era precisa e não eu a precisar. Sentia um cómico gosto na minha boca, com um sorriso malandro que aparecia mesmo não o querendo.
No entanto, eu sabia que era perigoso continuar assim. A minha sanidade estava a falhar nas horas H, querendo virar-se contra mim. Talvez eu merecesse por adorar quando precisavam de mim, talvez não merecesse. Eu não sabia bem o porquê mas sentia que não podia continuar com aquela rotina de mágoa e tortura. Chegava a preferir estar cansada fisicamente do que emocionalmente. A minha mente perdia-se por entre memórias inventadas e sentimentos ilusórios criados por mentiras ditas. O amor desamado, as histórias elaboradas, a manipulação ativa e os jogos psicológicos perfeitos: como tudo batia tão certo mas não batia com o coração. 
Então disse adeus. Demorou, demorou bastante. Adeus. Até um dia. Não quero saber mais de ti, ainda que seja para dizeres que pedes desculpa. Aconteceu, já não há desculpas a ser dadas. Guarda-as para ti, para o futuro que te espera. Não te quero mal, de todo. Ensinaste-me imenso com o teu manuseamento da verdade (ou devo dizer da irrealidade?). 
Irás acabar por descobrir que mereces mais e a culpa não é tua se a pessoa não vê que és arte. Podias até ser uma noite de estrelas cintilantes com todas as constelações possíveis mas se ela não te quiser ver, ela irá ignorar. Espero que um dia entendas que o teu amor não precisa de ser maior quando uma pessoa quer ser cega. 

✒ t-ó-x-i-c-o.

by on outubro 19, 2017
(poema do livro milk and honey de rupi kaur) É incrível como uma frase pode fazer-te sentir tantas coisas ao mesmo tempo. É incrível ...

Pergunto-me quantas pessoas viram o título e acharam que eu ia falar sobre quão o meu coração está partido por causa do amor. Engraçado como quando lemos "coração partido", a nossa mente viaja logo para aquela pessoa que nos magoou. É normal. A mente tende a lembrar-se mais facilmente de momentos tristes do que os momentos em que nos sentimos felizes. 
No entanto, não é desse coração partido que quero escrever hoje.
Imaginem a vossa mão a tapar o sol - se estiver fechada bloqueia os raios de luz atingir os vossos olhos. Imaginem, agora, os vossos dedos a separarem-se devagarinho. A luz começa a atingir o vosso rosto, iluminando. O sol, a luz, é isto que nos permite ver tudo. Quando o coração está inteiro, não permite que a luz atravesse para assegurar luminosidade dentro de nós mas quando se parte, entra um brilho, uma claridade que pode ser boa.
O que estou a tentar dizer é que não é totalmente mau quando o nosso coração se parte. Com isto não estou a dizer que devemos deixar os outros nos magoar - não. Estou a dizer que nós podemos deixar que entre um pouco mais de luz ao se ser vulnerável. Tornou-se tão raro ver alguém vulnerável, bondoso e capaz de mostrar o que pensa e sente realmente, capaz de sentir realmente porque é visto como ser-se fraco. Eu acho que é uma maneira muito corajosa de se mostrar que está vivo.
Está-se a perder noção dos sentimentos, da humanidade que devia existir dentro de nós. O mundo tornou-se tão rápido que acaba por ser difícil aceitar e compreender o que verdadeiramente se passa ao nosso redor. Os dias vão passando sem se viver totalmente. Eu sou culpada disto, às vezes. Acabo por perder mais tempo a preocupar-me com universidade e o meu futuro indeciso do que respirar e apreciar o que tenho. Fico a esconder-me do mundo porque tenho medo que possa ser demasiado honesta e, consequentemente, magoada. Ao mesmo tempo, apago esse pensamento e liberto a minha mente e o meu coração porque é a melhor maneira de se ligar a outras pessoas.
Admito que sou demasiado sensível, às vezes. Eu sinto demasiado todas as palavras que me são ditas  e ações que são feitas sendo que pode ser uma benção como pode ser uma maldição. Vivo tudo muito intensamente - coisas boas ou más. Acaba por ser esgotante porque o meu humor varia durante o dia, ou passo semanas a sentir-me negativa e outras semanas a sentir-me positiva. Começo a chorar por ver a desumanidade que existe no ser humano e choro por ver o quão bom o ser humano pode ser.
Sempre o tentei negar vulnerabilidade e fazê-la desaparecer mas só piorei a situação já que guardava tudo e transformava-se num conflito interno que não tinha forças para domar. Sempre tentei não falar do que me chateava, do que me magoada, do que me fazia feliz, do que me inspirava porque era uma forma de as pessoas me atacarem. Alguém saber usar a tua vulnerabilidade contra ti é uma dor que se torna insuportável porque, além de teres confiado nessa pessoa, ela usou algo de ti contra ti. Até que percebi que as pessoas só te podem magoar se tu deixares. Se eu aceitar quem sou, se me aceitar como sou, não podem usar tal tópico para me atingir. E aceitei-me.
Eu sinto e, ainda que muitas vezes desejasse não sentir, ainda bem que assim é. Não mudaria a minha sensibilidade porque ela define-me e define a maneira como interajo com as pessoas. Consigo sentir quando estão mal, sinto o que sentem ao ponto de o seu humor atingir o meu. Conecto-me com as pessoas mais intensamente porque me deixo ser vulnerável.

✿ coração partido.

by on junho 03, 2017
Pergunto-me quantas pessoas viram o título e acharam que eu ia falar sobre quão o meu coração está partido por causa do amor. Engraçado ...