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               Queria continuar neste tema de amor próprio e de cuidar de nós mesmos com um dia de spa que costumo fazer para me sentir melhor. Era suposto fazer este post de maneira muito diferente, mas não consegui tirar as fotografias da maneira que queria e, para não perder a oportunidade de publicar, fiz de outra forma. Além de que o que me importa é poder partilhar convosco algumas dicas e sugestões de como podem passar um dia, tarde ou noite convosco e como podem mostrar amor ao vosso corpo.
               Comecei a tarde a dar uma caminhada com o meu cão e, honestamente, soube-me pela vida! Eu já me tinha esquecido do quão bom é praticar exercício e ter aquele momento só para mim, com a natureza e com os meus pensamentos. O sol quentinho a bater-me na cara e a aquecer-me a alma (e a fazer-me suar) deixou-me logo bem disposta apesar de não o estar totalmente.
Cheguei a casa e fui tomar banho e tratar do meu corpo, da minha face e do meu cabelo que bem estavam a precisar. Apesar de estar a dizer que é um dia de tratar de mim, eu faço isto quase sempre que lavo o cabelo porque sabe demasiado bem só para fazer uma vez por semana, ou uma vez por mês. Tenho tentado cuidar o melhor de mim possível, também porque sentir-me bem por fora faz-me sentir bem por dentro também.
               O meu shampoo mudou e tem sido uma bênção para o meu cabelo. Como sabem, ele é oleoso na raíz e seco nas pontas, o que torna difícil lidar com ele. Porém, este shampoo permite lavar o cabelo a um nível ótimo e não tem silicones, o que é bastante bom. O facto de ter um cheirinho bom também ajuda a gostar dele, como é óbvio.
               Para o corpo comecei por esfoliar a pele para retirar as partes mortas, usando este esfoliante corporal da Primark que comprei há pouco menos de uma semana. O cheiro não é dos meus favoritos, mas funciona mesmo, mesmo bem! Deixa-me imediatamente a pele suave!
               Voltando ao cabelo, tenho usado uma máscara que comprei no Poupero de Famalicão (mas também há em Barcelos, pelo que me disseram) e é igualmente boa! Deixa-me o cabelo cheiroso e hidratado, tal como promete. É composto por óleos de Aragão que já não é novidade que são dos meus cheiros favoritos.
               Para limpar a cara uso aquela luva branca da Primark, também, que me tem ajudado a reduzir o número de toalhitas que uso. Sinto mesmo que não preciso de me certificar que a maquilhagem saiu toda porque a luva limpa bem, com apenas água. No entanto, uso um desmaquilhante da Cien para ajudar, apesar de não gostar muito dele. A outra luva veio num kit de banho/massagens que me deram no natal e ao primeiro até a ignorei porque não sabia para que funcionava, mas agora tenho adorado. Ajuda a dar um extra esfoliamento à pele e sabe bem.
               O meu condicionador é da Tresemmé e não tenho nada a dizer além de que é muito bom, pelo menos para o meu cabelo. Realmente hidrata e deixa-o suave, o que é um extra porque já uso a máscara para cabelo.
               O esfoliante de cara ainda é o mesmo porque estou a tentar acabar com ele para poder comprar um amigo dos animais e do ambiente, se for possível. Apesar de tudo, o da Garnier faz o que promete e é bom, isso não se pode negar.
               Após o banho, começa a hidratação da pele com o mesmo produto de rosto que já referi antes: Aqua Cien. Não tenho razões para trocar, como é óbvio. É refrescante e hidrata, deixando-me a cara super suave.
               O creme corporal é da Avon da linha de restaurar a pele e cheira a côco! Ao primeiro não gostava do cheiro, mas agora até adoro, sinceramente. É extremamente hidratante, sem dúvida, mesmo que o use de dois em dois dias a pele continua hidratada e cheirosa.
               Acabo isto com o uso de Vaselina nos lábios e o meu sérum de cabelo, igualmente mencionado anteriormente na minha lista de favoritos de beleza.
O resto do dia ideal seria poder ler, escrever e estar com o meu namorado em paz e sossego, mas isso só é possível às vezes então, pronto.
               A moral deste post é que deve-se tratar do exterior com amor e carinho, assim como tratar dessa maneira o interior. Só temos um corpo e uma mente por vida, temos de os aproveitar e tratar deles da melhor forma possível.
               Amem-se, <3.

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Obrigada por continuarem até aqui,
Até já, Rainers!
      Isto ainda é um tópico sensível para mim pois é algo que, se for dito em voz alta, as pessoas sentem pena instantaneamente. Não me interpretem mal, não estou a querer falar mal de quem faz isso, não é nada disso. É que sentirem pena de mim, ou de qualquer outra pessoa que passa pelo mesmo, não é o melhor, eu acho. 
      Sempre fui uma miúda muito calada e fechada. Tive vergonha de falar com as pessoas, era muito tímida. Lembro-me de os mais velhos falarem para mim e eu esconder-me para não ter de responder. Não conseguia fazer amigos facilmente como as outras crianças, responder às perguntas da professora era-me difícil. Só conseguia falar com quem já tinha confiança, e, ainda assim, era um pouco difícil. 
       Era e ainda sou introvertida, como disse no último post. Eu preciso de estar sozinha para recarregar baterias, não há outra maneira de o conseguir fazer. Passar muito tempo com um grupo de pessoas esgota-me facilmente; começo a ficar cansada mentalmente porque é demasiada interação pessoal ao mesmo tempo. 
        Assim, não era fácil ter amigos. Nunca foi fácil. Sempre sentia que incomodava se falasse com alguém que não conhecesse. Sentia-me a mais ao falar num grupo de pessoas. O meu coração batia muito forte, o meu corpo chegava a tremer. Ainda me acontece, por vezes. 
       Tudo começou no oitavo ano. Não entrando em muitos detalhes, vi-me sem amigos (ou achava eu que eram amigos). Na minha cabeça, eu estava sozinha. E, num momento em que estás a desenvolver, a criar ideias sobre o mundo, a perceber como tudo funciona, é complicado estar sozinha. Em casa, as coisas também não eram fácies. A diretora de turma obrigou-me a ir à psicóloga, o que ajudou bastante. Ainda assim, as coisas voltaram ao mesmo quando saí do básico e, por sua vez, saí do aconselhamento psicológico.
       As coisas continuaram turbulentas no secundário, ainda que tenha melhorado imenso. Comecei numa turma nova e percebi que EU tinha o poder de controlar se me afetavam ou não, de alguma forma. Ora, o facto de alguém me achar algo só me afeta se eu deixar. Vamos pensar no dia-a-dia: essa pessoa que disse isso conhece-me? Não. Então porque é que devo estar preocupada com o que Y disse sobre mim se não me conhece? Se fosse algum dos meus amigos a dizer isso aí sim, devia preocupar-me. Os de fora falam por falar e tendo a minha consciência tranquila, não me podem afetar.
       Foi na altura do secundário que também percebi, realmente, o que são relações tóxicas. Eu tinha uma pequena noção do que eram por causa dos filmes e assim, mas só por volta do 11º ano que percebi o que realmente era passar por uma coisa dessas. É desgastante, esgota qualquer energia que se tenha, qualquer sentimento positivo que se tenha, mexe-nos com a cabeça de tal forma que não nos apetece falar com mais ninguém, manipula ao ponto de achar que tenho culpa por algo que nem sequer fiz. Então piorou, tudo piorou nessa altura. A minha ansiedade e depressão chegaram a níveis que não tinham chegado antes: não conseguir estudar, sentimentos de culpa, cortar-me, desejar não ter nascido, foi um período intenso de emoções. Tudo isto porque queria ajudar alguém que não queria ajuda e não se importava comigo. Felizmente, percebi a tempo o que era e comecei a deixar a pessoa ir porque, como aquela frase cliché diz, "Às vezes aguentar dói mais do que deixar ir."
       O décimo segundo e o primeiro ano de universidade foram os que me mudaram imenso em termos de comportamento para com a vida. Comecei a sentir-me melhor comigo mesma, aceitar quem sou, aceitar que demoro mais do que os outros mas chego lá. As crises começaram a ser menos frequentes, apesar de serem mais intensas. A pressão de escolher o que queria seguir, ter notas suficientes para entrar na universidade, não entrar na primeira fase de candidaturas, não entrar na segunda, entrar na terceira e sentir-me um alien na turma porque já todos se conheciam, tirar a carta, perder o telemóvel, ir ao meu primeiro exame de recurso. Muitas coisas parecem pequenas em termos de significado e podem não parecer importantes, mas para mim foi tudo muito marcante e stressante.
       Agora é mais do mesmo, sinceramente. As crises são mais espaçadas mas intensas, ou há vezes que passo semanas a ser a pessoa que era antes, sem motivação, a querer acabar com tudo, a remoer sobre coisas que já nem posso mudar. Há dias que os ataques de ansiedade pioram e não sei explicar o porquê de isso acontecer. Há dias que está a correr tudo bem e apenas vou abaixo. Há dias que estou super bem e, no dia seguinte, acordo com o peso do mundo nos meus ombros. Há semanas produtivas, há semanas que quero desistir. Continua a ser uma mistura de emoções e sentimentos.
       Eu tentei medicação. Não funcionou comigo. Sinceramente, nem tentei trocar para outra porque eu não dou com medicação. Tinha medo de ficar dependente e não gosto de tomar comprimidos. Então tentei melhorar por mim mesma. Foi algo que precisava de fazer sem ajudas de terceiros, entendem? Foi necessário para mim mudar a minha perspetiva das coisas. E, desde então, muitas coisas boas aconteceram e é a isso a que me agarro quando estou desmotivada, ou até a coisas que fiz quando estava muito mal: tenho um grupo de amigos bons, escrevi um livro inteiro, fui a Sevilha, Bordeaux com o meu dinheiro, estou num part-time que requere falar com pessoas a todo o momento, consegui comprar roupa com o meu dinheiro, consegui comprar uma máquina fotográfica, estou a conseguir continuar com o blog, cheguei ao terceiro ano sem cadeiras para trás (esperemos que continue assim), tenho um namorado maravilhoso e compreensivo, tenho mais auto-confiança (ainda não estou totalmente no topo, mas vou chegar lá), estou a saber lidar melhor com as pessoas, tirei a carta, passei de caloira a doutora, tento ver a vida de uma forma mais positiva.
       Acho que depressão e ansiedade nunca passam por completo. Vão estar sempre pedaços disso dentro de nós. Eu pensava que tinha melhorado e afinal há dias que sinto-me como antes. Vai estar sempre presente, entendem? Não te definem mas acabam por fazer parte de nós, de uma maneira ou outra. O melhor é mesmo aprender a viver com isso e esperar que boas pessoas apareçam no teu caminho porque, honestamente, isso foi muito importante para mim. Não há nenhum truque secreto para lidar com isto. Então, respondendo ao título: não há uma maneira precisa de como lidar. Ou talvez haja e eu não a descobri ainda. A verdade é que o maior esforço tem de vir de ti porque não importa quantos psicólogos visites ou quanta medicação tomes, nada adianta se tu não quiseres. E não o digo da maneira mesquinha de "a culpa é tu", digo-o como "tu controlas porque o corpo e a mente são teus, só tens de aprender a fazê-lo, demore o tempo que demorar."


O teu corpo contra o meu, sentindo-te cada célula. O teu calor contrastando com o frio que teima em percorrer-me o corpo, causando uma doce sensação. A intimidade entre tu e eu não está no facto de estarmos nus um contra o outro. A intimidade provém do negro que sabes que percorre os meus sentimentos e o que sei que percorre os teus. Não sei se posso dizer "nós" quando me refiro a ti e a mim porque não sei se somos um. Somos personalidades bastante diferentes que se dão bem e, ocasionalmente, dão-se mais que bem. Será que posso chamar “nós” a isso, a isto? Aquilo que estou disposta a fazer por ti, tu podes não estar disposto a fazer por mim. E tudo bem. Não te peço nada em troca além de sinceridade. Não peço que me ames, não peço que me entendas, não peço que me ouças, não peço que me esperes, não peço que me atures e, no entanto, tu fazê-lo. Será isso um “nós”? A incerteza está escrita no nosso rótulo, assustando-me e aliviando-me. Não há sentimentos a mais que possam interromper a nossa harmonia saborosa. Apenas a tensão entre nós que causa um acender de fogo inexplicavelmente bom. A minha curiosidade pelo desconhecido aguça ao olhar para ti, vendo-te tão inexplorado por mim. Deixa-me sentir-te, deixa-me descobrir-te, deixa-me beijar-te, deixa-me aproximar, deixa-me calar-te, deixa-me.

Deixa-me

by on maio 03, 2017
O teu corpo contra o meu, sentindo-te cada célula. O teu calor contrastando com o frio que teima em percorrer-me o corpo, causando uma doce...
A minha independência sempre foi algo que prezava muito. Era algo que me define porque sempre apreciei não depender de ninguém para avançar. Aprendi a língua inglesa sozinha; aprendi HTLM e CSS sozinha; aprendi a mexer no computador sozinha; aprendi a pesquisar as minhas perguntas sem precisar de ninguém. Talvez porque a vida me obrigou a depender de mais ninguém além de mim, mas é algo que sempre gostei. 
A mais pura das ironias é que, em certa parte, perdi a minha independência.  A liberdade que tinha de controlar os meus sentimentos e estados de espírito evaporou-se. Acabaste por me tornar viciada no teu bem-estar para conseguir ter o meu. A tua felicidade deixa-me feliz, se estiveres triste assim ficarei, o teu sorriso provoca o meu e isto soa tão patético e cliché e meio que me revolta por me deixar influenciar pela tua alma. Reviro os olhos a mim própria por deixar que um forasteiro roube o meu equilíbrio.  Dá-me vontade de te bater por me deixares vulnerável com o teu olhar e palavras. No entanto, dá-me vontade de te beijar por aceitares a minha sensibilidade e medos, por afagares tanto o bem como o mau. E, apesar de assustada, estou estranhamente confortável com o facto de saberes quem sou, os erros que cometi, o quão chata e carente consigo ser, o quão eléctrica fico quando estou com sono ou a minha falta de habilidade de dançar. Estou dependente da maneira não-independente em que me transformaste.