O novo videoclipe de Selena Gomez do seu último single "Fetish" já saiu. Muita gente acha esta nova fase da cantora um pouco estranha, comparando-a a Miley Cyrus ou a Melanie Martinez por ambas terem vídeos controversos. Isto porque não entendem o que ela quer transmitir.
Começando pela diretora do videoclipe, Selena afirmou muitas vezes que Petra Collins era uma inspiração para si por causa da maneira que a artista demonstra a sua perspetiva do que vê. 
Aquilo que percebo através do visual e da música é que há várias maneiras de interpretar. 
A letra transmite uma sensualidade e uma confiança que não se torna arrogante. É uma letra que te faz sentir sexy tanto pela batida como pelo que é cantado. 
O videoclipe, por outro lado, pode ser percebido de uma maneira mais dolorosa e escura, virando o tema para uma obsessão doentia por alguém. Há especulações de que seja a continuação de Bad Liar, e a casa seja da professora dela, já que tinha uma paixão pela mesma. 
Começa logo com a personagem a andar por uma rua que parece normal, exceto que no fundo existe um carro avariado. Depois aparece uma cena em que ela olha para o sol que quase a cega, fazendo-a colocar a mão por cima dos seus olhos - ela continua a olhar para o brilho mesmo que lhe magoe os olhos.
Ela começa a comer o vidro partido do copo de vinho. Não é só esta estranha coisa que ela come, a lista continua com o sabão, com um batom. Ela chega a usar o enrolador de pestanas para remover a sua língua. Tudo isto indicações de que ela precisa de mudar para satisfazer quem ela fantasia como se não fosse boa o suficiente. Entretanto, ela começa a entrar em stress, rasgando as suas meias, destruindo coisas, "Reaching your limit/Say you're reaching your limit/Going over your limit".
Água começa a cair durante as cenas na sala de jantar, possivelmente indicando a sua tristeza do facto de fazer de tudo para ser notada por quem gosta mas só ter desprezo por ela, como a própria letra indica "I push you out and you come right back".
A parte do congelador, a meu ver, é o coração da pessoa que ela gosta já que é comparado a gelo e é frio mas ela continua a gostar dele, sendo visível a vício mórbido que ela tem. Também pode ser visto como o seu coração sendo delicado já que o gelo transformou-se em quase neve, um item suave. Esta última parte pode ser confirmada porque é quando Guicci Mane começa a cantar "I blame you ‘cause it’s all your fault/Ya playin’ hard, don’t turn me off/Ya acting hard, but I know you soft"-
Todavia, já vi várias interpretações do videoclipe e todas parecem justificáveis. Uma nova era da cantora traz um lado que nunca vimos antes pois está mais confiante e livre. Já vimos isso com o seu primeiro albúm com a nova editora, Revival, mas este promete ainda mais transparência e criatividade.

É apenas a segunda vez que vou à Shairart, em Braga. No entanto, foi a melhor exposição que vi. Não quero estar a retirar o mérito da exposição anterior mas, desta vez, os quadros chamaram-me muito mais à atenção pela maneira que foram capturados. Sem dúvida que não percebo muito de arte - na verdade, quando tinha de dar história de arte na escola eu chorava internamente - exceto quando eram obras do expressionismo e surrealismo. 
Esta exposição conta com obras de Ana Monteiro, Gustavo Fernandes, Manuel Rodrigues Almeida, Alejandro Casanova, Jaume Mora, Jose Higuera, Giorgos Kapsalakis e Juan Domingues.
Estas obras encontram-se disponiveis para visitar até dia 2 de Setembro, quaisquer informações sobre preços ou mais podem carregar aqui para se dirigem ao site.















◍ from the south.

by on julho 25, 2017
É apenas a segunda vez que vou à Shairart, em Braga. No entanto, foi a melhor exposição que vi. Não quero estar a retirar o mérito da expos...

O nosso corpo tem a obrigação de respirar inconscientemente, sem qualquer esforço. Ele tem o mecanismo de sobrevivência que te permite viver dia após dia. No entanto, quando tudo se torna demasiado intenso e difícil de sobreviver, a tua alma é aquela que deixa de saber como se respira. O peso do mundo cai-lhe nos ombros, esmagando a sua liberdade de resistir aos solavancos da vida. O corpo consegue fingir que está bem, a alma é demasiado transparente para conseguir negar o seu estado. Ela precisa de mais cuidado e tratamento que o corpo para curar porque é pura, inocente, frágil. Não que isso seja mau, de todo. O puro, o inocente, o frágil é o que nos faz sentir e mostrar que somos humanos, ainda que o queiramos negar. Perdemos tanto tempo a parar os sentimentos de sentir mas, ao mesmo tempo, preocupamo-nos tanto que nos esquecemos que a alma acaba por quebrar com tanta pressão. É impossível não sentir porque isso é-nos inato desde que nascemos. Não há como negar as emoções porque elas transbordam-nos. É por isso que, quando uma pessoa é magoada, ela esvazia e sente nada. Sentiu tanto que acabou por ficar sem o que deu. A tendência de sentir tudo é trocada pela tendência de adormecer tudo. A apatia torna-se a nossa melhor amiga. Aqui, há a necessidade de aprender a sentir de novo, a sentir os sentimentos que nos eram naturais de sentir. Durante a nossa vida acabamos por reaprender aquilo que nos era inconscientemente presente. 

excerto de adjacente, cap. 1.

✒ reaprender o natural.

by on julho 22, 2017
O nosso corpo tem a obrigação de respirar inconscientemente, sem qualquer esforço. Ele tem o mecanismo de sobrevivência que te permite ...

A minha imaginação viaja até à tua memória, querendo sentir-te mesmo aqui, no meu lado. A minha mente trepassa-me ao fazer-me sentir o teu cheiro, mas não tem nada a ver com o teu cheiro. Nos meus sonhos o teu toque é tão real, os teus lábios criam fogo de artificio nos meus. Posso, finalmente, entrelaçar os meus dedos nos fios do teu cabelo, a textura a ser aprendida pelas minhas sinapses. Eu necessitava de memorizar cada traço teu, essa era a razão de olhar tanto tempo para ti quando estamos juntos. Eu quero levar-te para as minhas fantasias da forma mais fiel a ti possível para que eliminasse a distância que se criava entre nós fisicamente. Sempre confias em mim para não ficar triste quando tens de partir, mas consigo evitar sentir que um pedaço de mim parte também. Tu leva-lo contigo e só o revejo quando voltamos a estar juntos. E está tudo bem porque sei que o volto a ter em segurança, sei que voltas para mim são. Quando voltas, quando sei que vou poder sentir a tua presença na vida real, o meu coração desperta e o meu entusiasmo acorda com a necessidade de me despachar para voltar aos teus braços, de onde nunca devia ter saido. 

O problema de se dar a tanta gente é que se acaba por perder pedaços que faziam falta, mas que não se notou a sua perda no momento. Perguntaste quem és e como é a tua história, mas não sabes realmente responder a essas perguntas. É apenas um vácuo que vai ficando maior e maior até que, um dia, se olha ao espelho e repara-se que o reflexo está incompleto. Não reconheces quem é a pessoa que está a olhar para ti e é quando te atinge a realidade: será que me importo o suficiente para me querer procurar visto que te perdeste sem te dares conta? E, então, criou-se aquela necessidade de atender tudo e todos para tentar preencher o vazio, mas acabado por criar um maior. Percebe-se que não há uma maneira eficaz de voltar a ser quem se era, não há como voltar atrás. Há uma culpa interna e uma revolta incontrolável por ter deixado isto acontecer. Há varias maneiras de se sentir perdido e esta parece ser a mais dolorosa. Quando perdes a tua própria identidade é mais uma forma de andar a deambular sem um propósito, é vaguear por entre os esqueletos vagabundos sem sentimentos que te guiem, há uma forte nostalgia e saudade, mas não se sabe bem do quê. Algo falta, isso é palpável, mas o que não é palpável é o que falta. O incógnito devora-te como se fosses a sua comida favorita e não há nada que o faça parar. O teu vazio tornou-se apetecível para a parte negra te completar. Quem sou eu? De onde vim? Porque é que sou assim? O que é suposto fazer quando nos perdemos para a vida?

✒ reflexo incompleto.

by on julho 08, 2017
O problema de se dar a tanta gente é que se acaba por perder pedaços que faziam falta, mas que não se notou a sua perda no momento. Per...

Estava a escrever a sequela do meu livro quando uma música começou a tocar. Who You Are da Jessie J - esta era a música que ouvia nos momentos em que me sentia perdida. Lembro-me perfeitamente de estar no último ano do ensino básico e de ouvir esta música na sala do aluno, escrevendo-a num caderno que servia de terapeuta. Na verdade, era o caderno que usava para escrever coisas que, eventualmente, tinha de mostrar à psicologa. Esta música sempre teve um toque surpreendente em mim, tanto pela letra como pela melodia. Ainda hoje, a ouvi-la, sinto as lágrimas a quererem saltar dos meus olhos. 
Sê verdadeiro a quem és, Jessie J canta. O problema é que, na altura, eu não sabia quem era. Era uma miúda com depressão, sem amigos, perdida num mundo que não compreendia. Eu não sabia o que fazer além de me castigar por me ter perdido, por não ser melhor. O medo irracional de não ter controlo sobre mim, sobre o meu futuro e sobre o que pensavam sobre mim apareceu desde cedo. Eu não conseguia lidar com o sentimento de ser posta de lado, de ser criticada, de ser a rapariga triste da turma, de não ter amigos, de estar a falhar na escola, de ser um fardo. Quanto mais tento, menos funciona. Eu tentava ser melhor - mais sorridente, vestir-me melhor, ser mais amigável, mais disponível, menos emocional. Nada funcionava porque havia sempre alguém que me apontava o dedo a lembrar quem eu queria esquecer que era. 
Porque é que estou a fazer isto a mim mesma? Era o que me perguntava sempre que me magoava e que lembrava que estava sozinha. Eu merecia o que me faziam e o que eu me fazia porque eu não era alguém. Está tudo bem em não estar bem. Não, não estava porque ninguém compreendia o porquê de eu estar mal e todos julgavam. Eu era a rapariga com problemas em todo o lado e não conseguia resolver nada. Havia dias que nem eu sabia porque não estava bem, como esperava que os outros compreendessem? Lágrimas não significa que estás a perder. Mas toda gente sugere que sim. Havia sempre alguém que indicava que eu era chorona e apontavam-me o dedo enquanto se riam de mim, havia sempre alguém que dizia para sorrir mais porque era carrancuda, um bicho do mato. Perder a minha cabeça por um pequeno erro. Se é assim tão pequeno porque é que o apontavam sempre? Havia sempre desculpa e maneira de trazer tudo o que fazia de mal à tona. 
Pareço perfeita? Esqueci-me o que fazer para encaixar o molde porque houve tantas vezes que tentei ser igual a todos e não conseguia. Não conseguia ser igual a quem me comparavam e isso doia porque significava que nunca seria perfeita.
E não importa quantos anos passe, as memórias podem desvanecer mas a dor que senti estará sempre presente. 

Em Dezembro fiz uma maratona de Harry Potter. Sim, até ao final de 2016 ainda não tinha visto os filmes.
Adiante. Num dos filmes, uma frase que o Dumbledore disse ficou-me na cabeça desde então. "Claro que é dentro da tua cabeça, Harry, mas porque raio é que deveria significar que não é real?"
Eu sou uma pessoa ansiosa, isto significa que passam sempre muitos cenários na minha mente e, por vezes, sinto mais do que devia. Sempre penso que é tudo na minha cabeça porque sempre foi isso que me disseram por ser como sou. No entanto, esta citação de Harry Potter fez-me perceber que mesmo que seja só na minha cabeça, isso não significa que não seja real. Os meus sentimentos são válidos, independentemente de estar a exagerar ou não. Tudo aquilo que me vai na alma tem de ser reconhecido com o devido valor para poder libertar depois de se sentir.
Eu tinha muito a mania de esconder e ignorar os meus pensamentos e sentimentos porque não queria que se metessem na minha vida. O resultado: acabava por acumular tudo e explodia. Tinha ataques de ansiedade, chorava compulsivamente, magoava-me. Ao longo dos anos percebi que não podia continuar com a mesma estratégia de fingir que estava tudo bem - claramente não estava a ser bom para a minha sanidade. Precisava de procurar uma maneira melhor de acalmar a minha tormenta. Aceitei como era: ansiosa e demasiado pensadora. É necessário legitimar quem somos para poder encontrar paz interior. A criação de cenários, o pensar demasiado no que acontecia, o sentir desmedido - tudo isto devia ser aceite por mim para poder aclarar as minhas ideias. Não podia fazer nada para controlar além de respirar fundo e deixar fluir tudo o que me viesse à mente. Todas essas histórias que me encontravam eram escritas para futuros princípios e inspirações de narrativas. Aproveitar as minhas ilusões, idealizações e receios fez nascer a minha vontade de conceber vidas próprias a essas mesmas fantasias.
A mente ora mente ora sente e, ainda assim, está tudo bem. 


A Geração Y, também chamada geração do milênio ou geração da internet, millennials.A Geração Z, comumente abreviado para Gen Z, também conhecida como iGeneration, Plurais ou Centennials. As geração dos narcistas, dos intitulados de algo. Tudo isto são palavras da Wikipédia. Tudo isto são definições dadas pelos demais, como se fossem nomeados por alguém para dar rótulos a pessoas que nem conhecem. Quem sou eu? Tecnicamente estou algures no meio dessas gerações e, na realidade, não sou nada do que elas caracterizam. Eu defendo a minha geração, as pessoas que nasceram antes e depois de mim porque todas nós temos o direito de auto determinar o nosso futuro sem etiquetas mal feitas. 
Estou aqui para dizer que não ligo a quaisquer legendas que tenham sobre os mais novos. A partir do momento que destroem o planeta que as gerações futuras irão herdar - não têm o direito de opinar sobre nós. A partir do momento em que separam as pessoas por serem de raça, religião, oritenção sexual, género - não têm direito de opinar sobre nós. A partir do momento em que usam o estado para roubar e deixam as próximas gerações sem fundos de segurança porque há cortes na educação, na saúde, aumentam preços de bens essenciais - não têm o direito de opinar. A partir do momento em que julgam os jovens por irem em frente com os seus talentos e ideias de modo a esmagar os seus sonhos - não têm direito a opinar sobre nós. A partir do momento que criaram um sistema de educação estandardizado onde criam máquinas de memória, repetição e oração - não têm o direito de opinar. A partir do momento em que continuam com a ideia de que é melhor seguir uma carreira que dá dinheiro invés de seguir uma carreira que nos permita seguir a nossa paixão - não têm o direito de opinar. A partir do momento em que criticam a geração que muitos de vocês estão a criar - não têm o direito de opinar. 
Estou saturada de me dizerem que a minha geração é um lixo, não tem futuro no mundo do trabalho porque não há dinheiro ou lugar para nós mas, ao mesmo tempo, dizem-nos que não queremos trabalhar; que somos irresponsáveis mas quem elege partidos antiquados  e ideias absolutamente extremistas são a maioria dos adultos; devemos obedecer aos adultos porque nós não temos opinião e não sabemos o que é a vida; que não sabemos divertir porque usamos o sexo como libertação e usamos a nossas palavras como poder de liberdade invés de armas; somos todos menores mas acaba o secundário e já somos grandes o suficiente para decidir o nosso futuro inteiro quando há meses atrás ainda tínhamos de levantar a mão para ir à casa de banho; que a tecnologia está a fazer um estrago total e, no entanto, muitos jovens estão a fazer dinheiro e são um sucesso através dela; que somos rudes por exigirmos o mesmo respeito e tratamento perante os outros.
Talvez alguns de nós sejam preguiçosos, mal-educados, egoístas e com uma alma má - mas isso existe em todas as gerações, porquê generalizar as outras?
Não sou um só mais um número na segurança social, não sou mais uma média que entra em estatísticas sobre escolas, não sou mais um alvo do mundo do marketing, não sou mais uma pessoa que serve para encher os bolsos dos poderosos, não sou mais uma pessoa a juntar à lista do desemprego porque nesta geração vejo mais do que nunca a luta pelos sonhos e objetivos que têm, vejo universitários a aceitar trabalhos que não têm nada a ver com o seu curso porque não se acham superiores por ter um canudo, vejo jovens adultos interessados pela humanidade e pelo futuro das próximas gerações, vejo seres humanos que estão a inspirar e a criar uma onda de solidariedade enorme através de um vídeo que viram na internet.
Vá lá, senhores adultos: será que o real motivo de criticarem a minha geração não é por sentirem inveja? 

Pergunto-me quantas pessoas viram o título e acharam que eu ia falar sobre quão o meu coração está partido por causa do amor. Engraçado como quando lemos "coração partido", a nossa mente viaja logo para aquela pessoa que nos magoou. É normal. A mente tende a lembrar-se mais facilmente de momentos tristes do que os momentos em que nos sentimos felizes. 
No entanto, não é desse coração partido que quero escrever hoje.
Imaginem a vossa mão a tapar o sol - se estiver fechada bloqueia os raios de luz atingir os vossos olhos. Imaginem, agora, os vossos dedos a separarem-se devagarinho. A luz começa a atingir o vosso rosto, iluminando. O sol, a luz, é isto que nos permite ver tudo. Quando o coração está inteiro, não permite que a luz atravesse para assegurar luminosidade dentro de nós mas quando se parte, entra um brilho, uma claridade que pode ser boa.
O que estou a tentar dizer é que não é totalmente mau quando o nosso coração se parte. Com isto não estou a dizer que devemos deixar os outros nos magoar - não. Estou a dizer que nós podemos deixar que entre um pouco mais de luz ao se ser vulnerável. Tornou-se tão raro ver alguém vulnerável, bondoso e capaz de mostrar o que pensa e sente realmente, capaz de sentir realmente porque é visto como ser-se fraco. Eu acho que é uma maneira muito corajosa de se mostrar que está vivo.
Está-se a perder noção dos sentimentos, da humanidade que devia existir dentro de nós. O mundo tornou-se tão rápido que acaba por ser difícil aceitar e compreender o que verdadeiramente se passa ao nosso redor. Os dias vão passando sem se viver totalmente. Eu sou culpada disto, às vezes. Acabo por perder mais tempo a preocupar-me com universidade e o meu futuro indeciso do que respirar e apreciar o que tenho. Fico a esconder-me do mundo porque tenho medo que possa ser demasiado honesta e, consequentemente, magoada. Ao mesmo tempo, apago esse pensamento e liberto a minha mente e o meu coração porque é a melhor maneira de se ligar a outras pessoas.
Admito que sou demasiado sensível, às vezes. Eu sinto demasiado todas as palavras que me são ditas  e ações que são feitas sendo que pode ser uma benção como pode ser uma maldição. Vivo tudo muito intensamente - coisas boas ou más. Acaba por ser esgotante porque o meu humor varia durante o dia, ou passo semanas a sentir-me negativa e outras semanas a sentir-me positiva. Começo a chorar por ver a desumanidade que existe no ser humano e choro por ver o quão bom o ser humano pode ser.
Sempre o tentei negar vulnerabilidade e fazê-la desaparecer mas só piorei a situação já que guardava tudo e transformava-se num conflito interno que não tinha forças para domar. Sempre tentei não falar do que me chateava, do que me magoada, do que me fazia feliz, do que me inspirava porque era uma forma de as pessoas me atacarem. Alguém saber usar a tua vulnerabilidade contra ti é uma dor que se torna insuportável porque, além de teres confiado nessa pessoa, ela usou algo de ti contra ti. Até que percebi que as pessoas só te podem magoar se tu deixares. Se eu aceitar quem sou, se me aceitar como sou, não podem usar tal tópico para me atingir. E aceitei-me.
Eu sinto e, ainda que muitas vezes desejasse não sentir, ainda bem que assim é. Não mudaria a minha sensibilidade porque ela define-me e define a maneira como interajo com as pessoas. Consigo sentir quando estão mal, sinto o que sentem ao ponto de o seu humor atingir o meu. Conecto-me com as pessoas mais intensamente porque me deixo ser vulnerável.

✿ coração partido.

by on junho 03, 2017
Pergunto-me quantas pessoas viram o título e acharam que eu ia falar sobre quão o meu coração está partido por causa do amor. Engraçado ...

Olá. Sou a Rain. Muita gente já me deve conhecer do wattpad, outras pessoas do twitter, facebook, tumblr. Na minha tentativa de criar um blog mais aberto para quem me segue de forma a tentar ajudar alguém, estou por detrás do ecrã a carregar nas teclas que formam as palavras que vocês estão a ler. Estou, também, a tremer e ansiosa porque este post é algo do qual nunca falei seriamente e abertamente pois o medo de levar com comentários de piedade ou de crítica era imenso, ainda é. Sempre tentei falar sobre isto da melhor maneira possível, tentando não dar pistas de que fazia parte de qualquer coisa do que irei falar porque sei que o choque de saberem quem fui e quem sou podia ser enorme. 
Tenho dezanove anos e já tive pensamentos suicidas. Para ser mais específica, já fiz automutilação. Posso afirmar que poucas pessoas imaginariam eu dizer isto pois a imagem que transmito é de alguém calma, com tudo em ordem, sempre pronta para animar toda gente. Não estou, de forma alguma, a dizer que sou duas pessoas totalmente diferentes. Não. Eu sou a Rain, uma contradição humana. Tampouco pouco escrevo isto para ter pena ou atenção de alguém. Na verdade, sim, quero atenção de toda gente - todos vocês que sentem que devem desaparecer e todos vocês que não medem as vossas ações.
Pequenos cliques de diferentes pessoas começaram a encher a minha mente de vozes destrutivas e manipuladoras. O acumular de coisas começou a saturar-me ao ponto de descarregar em cima de mim. Na minha cabeça o problema era eu e apenas eu. Era alvo de críticas, de gozos, de risos. O normal, achava eu, porque toda gente fazia o mesmo.
Começou por apenas dois cortes, exatamente no mesmo sítio onde estou agora sentada a escrever isto. Lembro-me de não ter sentido muita dor, talvez porque a dor emocional era mais elevada que a dor física. O sangue também era pouco, algo que me deixou impressionada. Os dias passaram e lembro-me de o fazer de novo, desta vez enchi os dois braços.
Eu tinha treze anos e achava que não havia futuro porque ninguém gostava realmente de mim. Apenas me usavam para obter o que queriam. A minha mente prendia-me neste ciclo de pensamentos horríveis e intermináveis, levando-me à depressão.
A ansiedade tornava-se cada vez pior durante o secundário mas a confiança em mim aumentou um bocadinho. Conseguia sentir-me melhor do que antes, pelo menos. Até que pensei ter-me apaixonado e a roda da autodestruição voltou em força. O meu melhor nunca era suficiente. A culpa era toda minha sobre tudo o que corria mal. Punia-me por cada pequeno erro que cometia pois, ainda que eu fosse humana, não podia errar. A pessoa de quem eu gostava manipulava-me ao ponto de pensar que eu era a razão de ele ser assim, eu não lhe chegava porque eu era má, eu não tinha melhores notas porque era uma inútil, eu tinha depressão e cortava-me porque era fraca. Eu tinha nascido um erro e desejei muitas vezes ter morrido à nascença como era previsto.
Sou os altos e os baixos. Melhorei bastante desde esse período porque comecei aceitar que eu tenho o direito de errar sem me castigar. Já passaram dois anos desde que estou limpa. Os pensamentos continuam a navegar dentro de mim, consigo sentir a nuvem negra pairar sobre mim e acho que nunca vão desaparecer realmente. É algo que fará parte de mim porque é parte do meu passado e ainda é parte do meu presente. Eu não me conseguia ver a chegar aos dezoito anos, muito menos chegar aos dezanove e estar onde estou.
Eu acredito piamente que é preciso chegar-se ao fundo para ganhar o impulso suficiente para voltar acima. Com isto não estou a incentivar que deixem alguém cair no seu próprio poço. É necessário a pessoa saber que não está sozinha, ainda que se sinta sozinha. Eu estive no escuro, eu sei o que é sentir como se já nada fizesse sentido, que o meu desaparecimento não fazia diferença nenhuma, que sou um gasto de oxigénio. Isso não é verdade.
Ao acabares com a tua vida estás a privar-te de saber o que acontece no teu futuro. Eu achava que não tinha um até o viver. Há tanta coisa maravilhosa que ainda tens para dar ao mundo! O facto de estares com tanta dor dentro de ti significa que tu sentes, significa que também pode caber muito amor e felicidade. Por favor, aguenta por mais um pouco e podes surpreender-te com o que pode acontecer. Irias deixar a tua família e os teus amigos. Podes achar que eles não querem saber de ti mas isso é tão errado. Quem quer o teu bem só pode fazer algo até certo ponto. A doença corroí a realidade. O lado negro faz-te ver o mundo pesado, afasta-te das pessoas mesmo que as queiras perto, faz-te desconectar com tudo e todos, cria esta perspetiva de que a culpa é toda tua - mesmo que não seja tua.
Se estás a sentir assim, tens de procurar ajuda. Eu acabei por pedir, por muito que me tivesse castigado mentalmente por o ter feito já que significava que eu era fraca ao ponto de não me ajudar a mim mesma. Isso não é verdade. Pedir ajuda é sinal de força porque estás a fazer algo para melhorares. Familiares, amigos, professores, psicólogos, linhas de apoio, eles podem ajudar. 

Vivemos numa sociedade onde a rapidez se tornou um paradoxo no quotidiado. Temos todas a informação que queremos na ponta dos nossos dedos, libertando a nossa curiosidade sobre qualquer tópico possível e imaginável. Torna-se difícil haver um estado de calma para possibilitar o processamento da informação que recebemos.
As viagens cada vez menos demorosas, as telecomunicações que nos ajudam a enviar mensagens para o outro lado do mundo e são recebidas em tempo real, a forma como as ideias e os valores são espalhados pelos sete biliões de pessoas – tudo isto cria uma imagem na nossa cabeça em que tudo tem de ser com rapidez. A rapidez de querer perder a virgindade, a rapidez de ter certa aparência, a rapidez de amar, a rapidez de crescer, a rapidez de saber coisas, rapidez de ser-se adulto.
A ânsia de percorrer os caminhos das primeiras vezes torna-se uma prioridade como se fosse uma maneira de mostrar quem é o melhor.
Nunca fui o tipo de pessoa que cedia a pressão por parte dos amigos, mas sei de casos em que levou a erros que não são agradáveis de reviver. Sempre soube o que era benefício ou não para mim, tanto que até à universidade sempre segui o plano que ditei para mim mesma.
As minhas primeiras vezes foram o que muitos consideram tarde mas, para mim, foram na altura acertada e mais que acertada - perfeita, eu diria.
A primeira vez que fumei foi no décimo primeiro ano. Tenho a perfeita noção de que o tabaco faz mal, no entanto, a curiosidade de saber o porquê de as pessoas adorarem aquela substância chamou por mim. Ora, eu sei que o que vicia é a nicotina que está lá presente, mas para se ficar viciado ainda demora uns dias, semanas. Devo dizer que odiei o sabor e tudo em si. O fumo dá-me dores de cabeça e o cheiro que entranha no meu cabelo e nas minhas roupas irrita-me. Não consigo evitar senão rir com isto, mas às vezes dá mesmo vontade de bater nas pessoas que fumam perto de mim. Peço desculpa!
A primeira vez que bebi café estava no secundário, mas comecei a beber mais continuamente na universidade. Isto porque, obviamente, eu dormia pouco e tinha de estar atenta às aulas e enquanto estudava. Eu achava que fazia efeito, até que percebi que não. Na verdade, dependia das vezes. Uns dias dava ainda mais sono, outros deixava-me elétrica para caramba! Agora deixei de tomar pois para dar sono ou ficar elétrica já o faço sem ajudas.
A primeira vez que bebi álcool foi, novamente, na universidade. Sempre tive curiosidade em experimentar só que não sabia bem com o que começar. Tequila. (NOTA: Não estou a incentivar a bebida.) A ardência pela garganta abaixo é algo um tanto aditiva porque, além de saber bem, tornou-me mais extrovertida - o normal do álcool. Não, nunca fiquei bêbeda e não desejo ficar. O meu desejo por controlo deixa de lado a vontade de perder os meus sentidos e não saber o que faço.
A primeira vez que beijei alguém no no quinto ano. Vou só dizer que foi... embaraçoso. Nem vou partilhar isso.
A primeira vez que namorei foi no sexto ano. Eu não sabia bem o que era o amor, mas sabia que sentia mais do que atração física pelo rapaz. Foi algo muito instável e durou um ano, mas foi a primeira vez que percebi que se calhar eu não era má de todo e havia alguém que gostava de mim.
A primeira vez que amei alguém foi no décimo segundo ano. Na minha cabeça, o amor era suposto doer porque era como uma doença que nos infetava o corpo todo. Doía amar aquela pessoa porque significava que gostava dela. Rebaixei-me e deixei-me levar pelas chantagens emocionais porque amei mais a ele do que a mim mesma. Perdi-me para o poder amar invés de me amar para não me perder. 
A primeira vez que tive o coração partido foi exatamente com esse rapaz. Aquele que eu pensava que me amava mesmo amando mais raparigas. Fazia-me sentir insuficiente, mas não me permitia pensar que era por causa dele, não. A culpa era minha por não ser suficientemente boa para ele. Eu é que devia ser mais e melhor para que ele olhasse só para mim. Enganei-me. Não é o amor que doí, é a pessoa que diz amar sem saber. 
A primeira vez que entendi o amor não é suposto doer foi no ano passado. Estou a descobrir aos poucos o que é realmente o amor porque não é uma pessoa dar mais do que a outra. Amar é igual dedicação e atenção por ambas as partes; É cuidar, é entender, é respeitar e valorizar o outro. 
A primeira vez que fiz sexo foi um pouco tarde, dizia toda gente. A verdade é que, para o que é considerado "normal", foi tarde. Eu acho que foi o momento certo. Não foi apressado, não foi uma experiência má, foi com alguém que confiava e que amava.
Vive-se numa era em que tentasse precipitar tudo não vivendo realmente os momentos, não se pensando bem no que se está a fazer. É necessário desacelerar as nossas vidas e os nossos pensamentos para encontrar um certo gozo no presente. Não tenhas urgência para experimentar tudo de uma só vez só porque pensas que estás atrás dos outros. Cada um tem o seu ritmo de crescimento. E está tudo bem em não fazer as coisas ao mesmo tempo do que toda gente. Leva o teu tempo.

✿ a primeira vez.

by on maio 06, 2017
Vivemos numa sociedade onde a rapidez se tornou um paradoxo no quotidiado. Temos todas a informação que queremos na ponta dos nossos ded...

Aqui estou, em frente ao computador a tentar decidir se vou estudar ou se continuo a escrever. Uma onda de nostalgia me atinge ao fazer a mudança do blogs sapo para o blogspot. Relembrar tudo o que havia escrito naquele simples blog e o que me disseram pelas palavras que leram no mesmo. Inspiro e expiro na tentativa de encontrar uma luzinha de incentivo para uma das partes do meu dilema. Estou a tentar criar novas mudanças na minha vida para sair da minha zona de conforto. Mudanças sempre foi algo que me assustou pois eu, sendo uma maniaca por controlo, não pensaria em fazer algo espontâneo pois não podia controlar o que podia acontecer. Hoje estou decidida a mudar isso. Preciso de me aventurar a novos desafios. Dessa forma, decidi criar um novo começo na história do meu blog onde postarei mais do que palavras soltas que deambulam na minha mente. Será algo mais diversificado e, espero eu, inspirador. Então, olá pessoal. Sou a Rain e este é o meu blog, uma espécie de diário público.

um novo começo.

by on maio 03, 2017
Aqui estou, em frente ao computador a tentar decidir se vou estudar ou se continuo a escrever. Uma onda de nostalgia me atinge ao fazer...
Quero dormir contigo. De novo. E de novo. E de novo. Quero sentir o calor do teu corpo no meu, a tua pele suada friccionando a minha. A maneira como o teu toque envia electricidade para dentro de mim, causando uma dolorosa e calorosa sensação de prazer. Beija-me. De novo. E de novo. E de novo. Torturas-me para me fazeres implorar para te ter porque sabes que admitir isso me deixa vulnerável. Queres deixar-me despida, não só fisicamente como mentalmente. Queres que deixe de lado os meus medos e pesadelos para me entregar inteiramente a ti. Queres possuir-me ao invés de ser os meus demónios a possuírem-me. Estimula o meu corpo, estimula a minha mente. Aproxima-te e afasta-te.  De novo. E de novo. E de novo. Deixa-me sentir a tua entrega a mim. Deixa-me sentir-te dentro de mim. Aquece-me ao ponto de querer explodir, no entanto, nunca é suficiente. Preciso de uma nova sensação. Preciso do curto-circuito que provocas no meu corpo. Preciso do acelerar da respiração e do coração. Preciso de todas as sensações que despertas do meu ser. De novo. E de novo. E de novo.  Olha para nós: dois loucos que se riem enquanto estão nus, que se olham com o desejo de se querem fundir, que criaram a uma realidade paralela só nossa. O quarto tornou-se um refúgio, abafando todos os problemas e as frustrações são descarregadas em atos prazerosos. Então vamos explodir um ao outro, um com o outro, um contra o outro, um em cima do outro. De novo. E de novo. E de novo.

De Novo V

by on maio 03, 2017
Quero dormir contigo. De novo. E de novo. E de novo. Quero sentir o calor do teu corpo no meu, a tua pele suada friccionando a minha. A man...
Num mundo cheio de pessoas usando máscaras, encontra-se mais depressa o impulso de encontrar alguém para nos completar do que encontrar o que falta de nós mesmos. Vive-se nesta ideia utópica que é com outra pessoa que iremos ser feliz e abandona-se a realidade de que enquanto não estivermos satisfeitos connosco mesmos, outras relações podem muito bem ir por água abaixo. É tão bom enumerar todas as qualidades que se quer encontrar na tal pessoa que irá fazer o nosso mundo radiar de energia e de felicidade quando não perdemos tempo o suficiente em melhorar quem nós somos. Seres imperfeitos, incompletos, com tanto ainda por descobrir e aprender, tem-se a tendência de procurar a melhor pessoa de todas ao invés de sermos a melhor pessoa. Se não consegues estar sozinho, se tens a necessidade constante de estar com alguém romanticamente, então algo se passa. A futilidade de querem estar com alguém só para terem likes ou para serem goals de jovens virou uma cultura prezada por muitos. Os contos clássicos querem criar esta concepção de que só se é realmente feliz quando se encontra o príncipe encantado. Não. 
Nós é que temos de ser os nossos próprios príncipes e princesas. A princesa não precisa de um príncipe para a salvar, e vice-versa. Temos de ser quem queremos encontrar. É a única maneira de não depender dos outros para ser feliz.