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                Qual é o rumo que quero tomar com isto tudo? Eu não sei.
              Ainda ontem falava com o meu namorado do quanto gostava de ser X pessoa, pessoa essa que já está adiantada no seu caminho e que trabalha todos os dias para chegar lá. Não é perfeita, óbvio que não, mas nem eu sou. Tem as mesmas horas no dia que eu, a não ser que more noutro planeta, o que não acho que seja o caso. Acabei por refletir e dizer-lhe, logo a seguir, que não importava o avanço dela, eu teria de me focar no meu projeto e no meu sucesso. Ele apoiou-me e disse-me "o teu projeto é que importa". E isto é um grande problema que tenho:
eu não consigo parar de me comparar. 
             É um ato tão inconsciente na minha mente já. O meu lado racional entra logo em ação a perguntar-me qual é o meu propósito ao estar a permitir que me igualar a uma pessoa que já está adiantada na sua rotina e no trabalho? É normal estar à minha frente: começou primeiro e tem conhecimentos que eu ainda não tenho; sabe o que funciona e o que não funciona; tem recursos que eu não tenho. Ou até mesmo se fulana entrou ontem para a comunidade e conseguiu atingir mais do que eu num ano? É frustrante, é irritante, chega até a ser triste e desmotivador. No entanto, vou ficar sentada a remoer sobre isso ou vou usar essa energia para continuar a melhorar o que é meu? O que importa é a minha jornada e o que faço para a enaltecer. Cada um tem o seu ritmo, a sua maneira de pensar, a sua forma de se comunicar.
                Outra coisa que me custa é falar de temas que já estão a ser debatidos. Ultimamente tenho tido esse medo de não querer falar de um determinado tema porque já há gente, que eu sigo, que o faz e não quero que pensem que estou a copiar ou algo parecido. Sinto uma pressão enorme de ser original mesmo quando a própria pessoa não o seja. Até falei com uma rapariga que sigo e gosto de a seguir e ela disse-me algo que eu já sabia, mas que soube bem ouvir "há espaço para todos".
Acho que muita gente não tenta seguir os seus sonhos porque são parecidos com os sonhos de alguém e acham que já há gente que faça primeiro e melhor. Sendo assim, os novos cantores já não deviam tentar sequer. Quero dizer, os The Beatles chegaram primeiro que os One Direction, porque raio eles acharam que conseguiam fazer sucesso quando uma banda famosa já existia? O importante não é se somos os primeiros ou os últimos, o importante é se quando chegamos, se fazemos algo de especial e diferente. Quero dizer, quem é que a J. K. Rowling pensa que é quando já havia Shakespeare? A audácia!
Não!
Haverá sempre inúmeras pessoas na área que tu queres e sonhas exercer. Faz o teu melhor para entrar nela e te destacares, ou, caso não querias destaque, faz o teu melhor para simplesmente entrar nela. Não precisas de mais, não precisas de menos, só o que achares suficiente para seres feliz.

Até já,

✿ o rumo, o verdadeiro.

by on outubro 10, 2019
                Qual é o rumo que quero tomar com isto tudo? Eu não sei.               Ainda ontem falava com o meu namorado do quan...
              A razão que não tenho publicado: perdi a confiança em mim.
          Já tinha falado anteriormente sobre a minha pausa da escrita, eu sei. Ainda assim, apesar do que lá escrevi, acho que muitas das vezes, não é a falta de motivação ou de inspiração que falta nos artistas, mas sim o facto de lhes faltar a autoconfiança que tanto precisam neste mundo artístico. O medo de ser rejeitado é tanto que nos faz não criar nada porque pode haver a possibilidade de decepção nas expectativas que nós criamos.
            Após ter publicado o último capítulo de Evanescente eu só dizia "não sei mais o que escrever, não sai nada de jeito". Passei cerca de 1 ano ou 2 anos a dizer isso: não conseguia escrever, tudo o que escrevia saía mal, as palavras não ficavam bem juntas. Sei lá, inventava mil e uma desculpas sem nunca procurar o cerne da questão. Por exemplo, esta minha pausa de quase 7 meses em que ia escrevendo uma coisa aqui, outra ali: a razão não era porque não tinha ideias, gente o que não me faltava era ideias! A sério, tenho cerca de 30 rascunhos aqui no blog, mais uns talões que os clientes não queriam preenchidos com coisas aleatórias que me ia lembrando. Aliás, eu ia escrevendo, só não publicava e o verdadeiro motivo por isso é que o meu perfecionismo chegava ao ponto de me dizer "olha, X fez melhor que tu, que vais acrescentar ao que ele fez?" ou "sabes... Y conseguia melhor que isso, vê lá se melhoras nessas tuas expressões, não te sabes explicar por nada desta vida!".
             Há uma pressão exorbitante e um tanto paranóica de sermos os primeiros em tudo e de fazer tudo o mais completo e perfeito possível, sem erros e sem testes. A perfeição criou uma ambição tremenda na mente das pessoas que ao falhar uma vez já faz com que percam de vista a razão pela qual queriam tentar. E eu deixei-me levar por essa onda porque era o mais fácil para mim, invés de estar a combater a força natural de desistir. A minha insegurança impediu-me de continuar a fazer o que gosto e me dá vontade, o que fez com que eu perdesse a motivação para todos os outros aspetos da minha vida.
              Eu não tenho doutoramento em escrita, tampouco sou um génio que não comete erros. Tal como não sou perfeita a tirar fotografias, a pintar, a desenhar, a criar sites, a maquilhar. Posso ficar melhor e aprender mais sobre todas essas coisas, mas nunca serei perfeita e não há qualquer problema nisso. Qual seria a piada de saber tudo sobre todos os assuntos?
         Há demasiada preocupação em criar coisas perfeitas do que realmente partir para ação e simplesmente começar a criar. É por isso que eu procrastino muito, não é porque não tenho motivação ou ideias, é mesmo porque quero fazer algo perfeito e não quero estragar a visão que tenho e porque agora tudo que se diz é tido como errado por alguém. Enfim.
            Se é para retirar alguma coisa deste post é: faz, mesmo que não esteja perfeito. Mais vale fazer algo e depois ajustar, do que estar sempre à espera do "momento certo" que pode nunca vir acontecer. Queres escrever um livro? Queres começar uma empresa? Queres ser tatuador(a)? Queres viajar o mundo? Queres criar um website? Começa agora. Cria um plano para conseguires chegar ao teu objetivo, mas não passes a vida a planear, em algum ponto tens de começar agir.
              Adeus menina de planos, olá mulher de ação. Espero que estejas pronta para esta nova viagem. O Ano do Sim é agora. 
(post publicado no meu antigo blog a 31 de Agosto de 2015. apenas irei modificar certas coisas, mas essencialmente é isto. coisas acrescentadas estão a itálico.).
            Eu sei que não vais querer saber, nem sequer vais ouvir ou ler o que tenho para te dizer. Sei que não vais procurar por mim e sei que não te importas se estou bem ou mal, nem me desejas o melhor, eu sei disso. Mas preciso que saibas, com a mesma intensidade que queres que eu saiba o que me queres dizer, que eu nunca te desejei mal. Eu nunca te odiei, muito pelo contrário, e talvez tenha sido esse o problema: gostar demasiado de ti. Eu amei-te. Doía fisicamente gostar de ti. E era uma coisa incontrolável visto que tentei deixar de nutrir sentimentos por ti, mas eles acabavam sempre por voltar inexplicavelmente. Eu sempre te pus em primeiro lugar e tu nunca me escolheste em primeiro. Eu tentei ajudar-te de todas as maneiras possíveis, da melhor forma como eu podia, mas tu não querias ajuda, só não querias era estar sozinho. E, ultimamente, tu não querias a minha ajuda e a minha presença, apenas querias alguém como plano B caso as tuas relações corressem mal. Deixavas isso bem claro com pequenas ações inocentes (achava eu), só que eu não o queria aceitar como a realidade.
            Quando me coloquei, pela primeira vez, em primeiro lugar e não a ti, tu começaste com os insultos e a dizer que fiz más escolhas quando a) tornar-me prioridade nem devia ser uma escolha e b) devias ficar feliz por me estar aceitar como alguém e não como algo. Deixaste de me falar, bloqueaste-me da tua vida como se eu fosse um acessório suplente. Tu esqueceste-te que eu não sou uma marioneta que pode ser usado e mal tratado em teu benefício. Por muito que não goste de falar sobre eles, eu tenho sentimentos e sinto! E, de tanto que os engulo, eles acabam por saltar com uma furiosidade que não dá para os manter quietos. Eu sou um ser humano, sou a rapariga que ficou ao teu lado depois de todas as asneiras que fizeste, todas as maneiras possíveis e imaginárias que me magoaste, depois de todas as tuas idas e voltas, depois de me tornares uma personagem secundária na tua história quando tu eras a principal na minha.
            A minha sinceridade foi algo que sempre te deixou encantado e irritado porque sabias que o que eu tinha a dizer, dí-lo-ia. Antes de partires disse-te que me deixavas vulnerável e levaste isso como algo negativo. Era suposto ser um elogio, na verdade. Tornar-me vulnerável é algo que eu sempre detestei porque significava que teria algo a perder: neste caso, tu. Para mim, ficar vulnerável significa ter sentimentos e emoções por alguém, significa gostar tanto de alguém que já nem importa se te magoas ou não, o que importa era mostrar esse amor. E eu tinha-os por ti, mas tu não compreendias o meu lado. Nunca compreendeste. Tudo bem, eu compreendo. O erro foi apenas e unicamente meu.
             Eu confiei o meu coração em ti. Ele já era frágil e tu sabias disso, mas deixaste-o cair e ainda o pisaste. Tu gostavas de brincar com os corações partidos só para ver o quão danificado ele podia ficar mais. Eu realmente não te desejo mal nenhum, independentemente de me odiares ou de quereres a minha morte. Eu espero, do fundo do meu coração, que sejas realmente feliz e que encontres alguém que cuide de ti da maneira que não soubeste cuidar de mim. E, quando encontrares, por favor, não faças nada de mal. Ama-a da maneira que dizias amar-me, protege-a da maneira que dizias querer proteger-me. Eu vou ficar bem sozinha porque apesar de tudo, ainda consigo pegar no meu coração despedaçado e voltar a coloca-lo no sítio.
            E obrigada por me teres ensinado tudo aquilo que não devo aceitar numa relação de amizade ou de amor. Graças a ti aprendi que eu tenho direito a mais quando se gosta de alguém e que, apesar de tudo o que estou disposta a fazer pela pessoa, devo estar igualmente disposta a fazê-lo por mim. Tenho de tratar de mim da mesma forma que se trata de um dente-de-leão. Ele é frágil, não pode ser abanado com força porque se desfaz. Tem de ser cuidado e delicadeza para que ele continue a ser quem é. 

✒ amei-te.

by on outubro 10, 2018
(post publicado no meu antigo blog a 31 de Agosto de 2015. apenas irei modificar certas coisas, mas essencialmente é isto. coisas acresce...
Usar o processo de eliminação para descobrir quem sou. Aquilo que eu não sou é o que me vai ajudar a descobri o que sou, quem sou, o que quero, o que preciso. Será isto verdade? Talvez seja, talvez não seja. A verdade é que é difícil saber quem se é. É difícil conseguir definirmo-nos através de palavras sem parecer egocêntrico ou convencido - confunde-se, muitas vezes, confiança naquilo que não somos com estas qualidades. Há aquela pressão de saberes imediatamente aquilo que és, tens de saber aquilo que gostas sem antes teres experimentado suficientemente bem, tens de escolher o teu futuro com apenas 16 anos. Dizem que mudamos de 7 em 7 anos, eu acho que se muda todos os dias, ainda que pouquinho. Não se sabe o dia de amanhã, não sei o que vem no próximo ano. As minhas ideias, as minhas crenças, as minhas vivências podem e irão mudar, é a lei da vida. Erros serão cometidos, lágrimas irão cair pela tua cara, dores internas e externas irão existir - acontece. E está tudo bem com isso. É o que acontece quando se está a crescer e a perceber quem não se é.
Este vídeo deve ser visto por toda gente, desde pré-adolescentes a adultos. Foi o que me inspirou a escrever isto e, honestamente, era o que estava a precisar de ouvir e escrever para me relembrar todos os dias. 
            E se for? Mas e se não for só uma fase? Qual é o problema? A minha doença mental pode não ser só a fase de ser adolescente. A minha sexualidade pode não ser só uma fase de revolta. O meu querer de passar de mulher a homem pode não ser só uma fase de moda. A minha vontade de ter uma carreira artística não é uma fase de sonhos. 
            As pessoas dizem que é uma fase porque acham que é algo mau, que afeta a sociedade inteira. E, em alguns casos, sim, afeta quem é próximo, mas se não te afeta a ti porque raio dizes que é só uma fase? Não sabes o que vai na mente das pessoas, não tens ideia o que elas sofrem, pensam, passam todos os dias. 
            O teu pensamento é a vida de alguém que apenas se quer libertar da prisão que é ser outra pessoa. Porque é que te achas no direito de falar sobre a vida de outra pessoa quando nem a conheces? A não ser que a pessoa em questão te peça opinião e apesar de haver a liberdade de dizeres o que queres, aquilo que tu dizes só é bem-vindo se não afetar a outra pessoa. 
            Para com esses mimimis de que vai dar a ideia errada a outras pessoas - ideia errada pensas tu, mas que pode inspirar gente a fazer aquilo que lhes vai no coração. És heterossexual, és médico(a) ou advogado(a), és saudável mental e fisicamente - parabéns, muitas felicidades para ti, genuinamente. Apenas não te aches no direito de falar da vida dos outros como se fosse a tua vida - segue aquilo que queres, deixa os outros fazer o mesmo.
            Cada um precisa de criar as suas próprias raízes para crescer, sendo a fazer coisas erradas ou certas, passando por momentos que são fases ou não. Se errar, tenta-se fazer melhor da próxima vez. Se mudar, muda-se de novo. Se se precisar de ajuda, não há mal nenhum. O importante é ter confiança nas suas escolhas, mesmo que passado uns tempos já não seja isso que se quer; explorar e tentar, não devia ser mau o fazer. Mesmo que seja só uma fase, é a MINHA fase, não a tua.

✿ é só uma fase.

by on julho 12, 2018
            E se for? Mas e se não for só uma fase? Qual é o problema? A minha doença mental pode não ser só a fase de ser adolescente. A...
É quase impossível não querer ser como o aqueles superheróis que aparecem na televisão. São heróis, têm poder e valentia, são admirados por muitos e fazem de tudo para proteger os que amam e as suas cidades. Eles têm imensos inimigos porque se tornaram alguém poderoso e enorme, é difícil superar alguém com este padrão e a maior parte dos vilões odeiam-nos só porque serem eles e pela sua imagem que boa pessoa.
No entanto, o maior inimigo de todos os heróis é sempre o mesmo: eles próprios. Todos os episódios que são mais intensos e que o protagonista tem de se superar é quando o faz a si próprio. E é meio que irónico dizer que nós somos os nossos próprios inimigos. Nós temos esse poder de nos derrotar, mesmo sem dar conta.
A felicidade parece ser algo tão frágil e facilmente perturbada. Só parece mesmo porque a realidade é que, muitas vezes, nós é que a fazemos desaparecer. A autosabotagem consegue ser tão poderosa ao ponto de nem sequer notar que o estamos a fazer. Por vezes, parece automático essa desvalorização.  Estamos tão habituados que algo de mal sempre aconteça que a nossa mente nem reage a algo positivo, apenas fica à espera que a parte má se apresente como o faz continuamente.
A tua zona de conforto vai entrar em alerta vermelho a partir do momento que sais dela e é aí que o pânico é ativado. Vencer os nossos maus hábitos, vencer a nossa própria mente, vencer a tendência da destruição: aí sim está o verdadeiro desafio do ser humano. Esquecemo-nos que o mau só nos afeta se nós deixar-mos visto que somos nós que lhe damos o poder de nos contagiar. É normal ter medo, o medo alerta-nos para o perigo. E é exatamente por isso que a coragem não existe por não haver medo, muito pelo contrário - a coragem existe porque se domina o medo e se age mesmo com a voz a dizer "não o faças".
Fá-lo.
Faz aquilo que não consegues fazer por causa dessa voz. O que tens a perder? Apenas tens a ganhar: se correr bem, ótimo; se correr mal, é uma lição do que não fazer para a próxima vez que tentares.
Isto porque tens de continuar a tentar, uma e outra vez, até conseguires aquilo que queres. Se a J. K. Rowling teve o seu livro rejeitado imensas vezes e continuou (que acabou por se tornar um mundo para as pessoas), eu acho que também consegues!

✒ heróis com medo.

by on maio 05, 2018
É quase impossível não querer ser como o aqueles superheróis que aparecem na televisão. São heróis, têm poder e valentia, são admirados...
         Há coisas que acabamos por dizer aos mais novos com todas as boas intenções possíveis. Queremos que eles cresçam a melhor versão deles mesmo e que não façam os mesmos erros que quem já viveu mais tempo. No entanto, acaba-se por criar contradições muito devastadoras num jovem adulto, num adolescente que só quer tentar perceber o que está a fazer. 
         Dizemos aos pequeninos para terem coragem mas esquecemo-nos que os grandes também têm medo de coisas que são ainda mais irracionais, como medo de amar ou medo de crescer. Só por serem medos ditos "estúpidos" porque acontecem após situações más, não quer dizer que não sejam reais. Aliás, tenho medo de aranhas e nem sei como ganhei esse medo, apenas o tenho. É pior do que o meu medo de me tornar uma adulta desinteressada pela opinião dos mais novos, de me tornar numa adulta que apenas sabe trabalhar e chegar a casa para reclamar, de me tornar numa adulta sedenta por criticar os mais novos pelas escolhas más que teimam em fazer? Não. Os medos são ambos reais, ambos válidos.
         Dizemos aos mais novos para continuar quando estão aprender a andar e caem, mas dizemos aos mais velhos que não vale a pena continuar e que desistam dos seus sonhos pois o necessário é ter um plano concreto. Aquele menino que adora dançar desistiu porque os pais diziam que as outras pessoas o iam gozar. Ou aquela menina que queria ser astrofísica desistiu porque não era trabalho para uma mulher, seja lá o que isso significa. Desiste-se de ser pintor, cantor, astronauta, compositor, enfermeiro ou escritor por causa de pressões e estereótipos da sociedade que não sabe nada além da sua bolha de conforto.
         Dizemos aos miúdos para não crescerem porque ser criança é bom e não precisam de crescer rápido; contudo, eles crescem e pede-se que decidam o seu futuro inteiro numa decisão que têm de tomar em meses. Passam de ter de pedir para ir à casa de banho a decidirem algo que acaba por definir o seu futuro - segundo os mais velhos. E quando se muda de rumo porque se sabe que não é aquilo que quer, é-se criticado. 
         Dizemos aos pequenos para terem ambição de lutarem pelo que querem mas aos mais velhos dizemos que irão falhar porque se sente inveja ou simplesmente é difícil. Dizemos aos mais novos para experimentarem vários tipos de legumes e frutas porque são diferentes e podem gostar, mas quando crescem dizemos que devem ter apenas um rumo, gostando ou não.
         Dizemos às crianças para continuarem a estudarem e nunca deixarem de aprender, mas quando se é adulto, se trabalha e se estuda, seja o que for, é visto como perda de tempo e "devias focar-te no teu trabalho". Não posso fazer as duas coisas ao mesmo tempo? E se eu quiser tirar uma outra licenciatura? Um mestrado? Um doutoramento? É falta de tempo se eu investir na minha educação? Se eu quiser aprender línguas ou decidir querer estudar biologia quando não tenho qualquer contacto com ciências desde o 9º ano? Estava acabar de ver a série Genious quando uma frase muito gira foi dita por Einstein. Quando na cena final a menina lhe pergunta como ele tinha ficado tão inteligente, ele responde-lhe que apenas faz perguntas, só é curioso. E, assim, ele tornou-se um homem brilhante e único.
         Dizemos aos pequenos que a vida está cheia de monstros maus e que vão conseguir vencê-los, e a única motivação que se dá aos mais velhos é para crescerem e fazerem-se pessoas. Tens depressão? Sai mais que isso passa. Tens ansiedade? Dorme mais que isso passa. Tens OCD? Não sejas piquinhas, porra! Fazem-te bullying? No meu tempo também pegavam comigo e não me queixava. És assediad@? Não sejas fácil. "A vossa geração só se sabe queixar e reclamar de tudo, nunca fazem nada por vocês abaixo. Na minha época era mais difícil e aqui estamos nós."
         Dizemos aos mais novos para pararem de fazer perguntas porque são chatos, para pararem quietas porque estão a fazer barulho, para deixarem de ser crianças quando querem ser ouvidas, para deixarem de ser indecisas quando não escolhem, para não chorarem porque passa, para não interromper os adultos porque estão a ter conversas sérias. É chato ser criança, mas também é chato ser adulto.
Diz-se e muda-se o rumo da conversa quando devia continuar a mesma. Então sim, na próxima vez que eu disser que não quero crescer, não é uma referência a Peter Pan: é porque crescer tornou-se sinónimo de esquecer. 

✒ diz-se e muda-se.

by on abril 22, 2018
         Há coisas que acabamos por dizer aos mais novos com todas as boas intenções possíveis. Queremos que eles cresçam a melhor versão...
Um conceito: está a chover lá fora, estou a beber um chocolate quente e a ler um livro interessante, o meu coração bate ao seu ritmo normal, a minha cabeça apenas pensa no que irá acontecer a seguir na história - não estou stressada. Seria bom que assim fosse.
Vi um pequeno desabafo de alguém no tumblr que dizia o seguinte, traduzido "Porque estar no início dos 20 parece tanto que apenas restam 5 anos de vida para alcançar o máximo que se pode? porque é que sinto que me aproximo de um prazo para o sucesso?"
Talvez o problema seja mesmo nós, como pessoas. Vê-mos outros a conseguir o que nós queremos, a avançar tão rapidamente no seu caminho que nos esquecemos do nosso. Estagnamos. Ficamos parados a ver os outros a viver, e nós continuamos apenas a... sobreviver. É complicado ver alguém a conseguir o nosso sonho, a conseguir quase de imediato (ou assim pensamos) aquilo que tanto esforço requer de nós. Dói no nosso ser, como se não fossemos suficiente. É aquela dor amarga que parece não sair, por muita água que se beba.
A verdade é que iremos sempre percorrer o mesmo caminho em ritmos diferentes. Já o disse antes, e vale sempre a pena relembrar. Eu preciso de relembrar. Está tudo bem se não chegar lá primeiro, desde que chegue. O importante é continuar, mesmo que seja devagar, muito devagarinho.
Estava a ter uma conversa com uma amiga minha e contei-lhe sobre uns planos que tenho para o blog. Ela começou a dizer-me que estava orgulhosa de mim por estar a seguir o meu objetivo e eu disse que também estava orgulhosa dela. A resposta da minha amiga foi "Eu realmente não fiz nada, mas obrigada." Um pouco mais à frente disse "Well mas respirar não é grande feito ahaha". E foi aí que se enganou.
Já disse há uns posts atrás que é preciso mudar-se de atitude. Não basta desejar querer algo que irá aparecer no nosso colo. Obviamente que a vida não funciona assim. É necessário mudar o que está de errado na nossa vida. Acredito no destino e que está tudo planeado de uma certa maneira, no entanto, tu tens o poder de o mudar se assim o desejares.
Contudo, é preciso valorizar-se as pequenas vitórias de maneira a valorizar as grandes e de haver motivação para conseguir seguir em frente. O quão difícil é, por vezes, sair da cama porque parece que o mundo caiu sobre os ombros? Até respirar acaba por se tornar um grande feito, sim. 
Esta fome por se ser um génio e o primogénito de algo incrível acaba por consumir o nosso bem estar e a nossa razão de querer ser e conseguir mais. Admito: dá vontade de desistir quando um certo post não tem visualizações e esforcei-me imenso para o escrever, ou quando estudo imenso para um teste e não tenho a nota esperada. É aquela dor que não dá para descrever concretamente. Apenas sabes que é algo que devias fazer bem mas, mesmo sendo aquilo que é suposto ser, não consegues fazer. E a vergonha cresce ainda mais que a dor porque falhaste.
Ainda assim, não é isso que nos ajuda a melhorar? Não é com os erros que aprendemos? E se correr mal? Tens outra tentativa, certo? Podes tentar de novo, mas de uma forma melhor. Se for feito com o coração e erraste, ao menos foi feito com o teu interior, e isso ninguém te pode tirar. 

✿ o prazo do sucesso.

by on março 24, 2018
Um conceito: está a chover lá fora, estou a beber um chocolate quente e a ler um livro interessante, o meu coração bate ao seu ritmo norma...
O mundo foi criado por uma explosão. O Big Bang deu origem ao sol, aos planetas, às estrelas, à nossa vida. Uma explosão. Se perguntares ao sol como foi o Big Bang, ele irá responder-te "doeu ser.". E é exatamente isso que acontece connosco, como seres humanos - dói ser. Dói até sermos alguém porque temos de aprender com os erros e experiências, temos de ser magoados, temos de crescer. Dói ser uma pessoa porque estamos a desenvolver, a mudar. Não consigo contar pelos dedos das mãos e dos pés a quantidade de vezes que o meu peito apertou por pensar que existia. A minha própria existência acabou por se tornar um fardo para mim e eu não aguentava viver. Era essa a minha realidade. Ter de enfrentar o mundo real, ter de lidar com pessoas, ter de pensar no meu futuro magoava-me. Exatamente porque eu não sabia como as coisas iam acabar. A mudança, ou o pensar na mudança, trazia-me agonia. Para juntar à confusão, eu estava a descobrir-me. Eu não tinha uma identidade, não sabia quem era ou quem queria ser. Era apenas outra adolescente com medo de ter de crescer e ter de aguentar com responsabilidades. Via os adultos sempre preocupados e chateados, não queria fazer parte desse grupo de incompreensíveis e miseráveis seres.
Contudo, olha para o sol agora. Ele brilha, ele volta todos os dias para iluminar a terra; porque todos os dias são um novo dia para tentar de novo, tentar melhor. Tudo o que é necessário é um tentar para realmente conseguir. 

✒ o big bang da mente.

by on dezembro 21, 2017
O mundo foi criado por uma explosão. O Big Bang deu origem ao sol, aos planetas, às estrelas, à nossa vida. Uma explosão.  Se perguntares...