Isto ainda é um tópico sensível para mim pois é algo que, se for dito em voz alta, as pessoas sentem pena instantaneamente. Não me interpretem mal, não estou a querer falar mal de quem faz isso, não é nada disso. É que sentirem pena de mim, ou de qualquer outra pessoa que passa pelo mesmo, não é o melhor, eu acho. 
      Sempre fui uma miúda muito calada e fechada. Tive vergonha de falar com as pessoas, era muito tímida. Lembro-me de os mais velhos falarem para mim e eu esconder-me para não ter de responder. Não conseguia fazer amigos facilmente como as outras crianças, responder às perguntas da professora era-me difícil. Só conseguia falar com quem já tinha confiança, e, ainda assim, era um pouco difícil. 
       Era e ainda sou introvertida, como disse no último post. Eu preciso de estar sozinha para recarregar baterias, não há outra maneira de o conseguir fazer. Passar muito tempo com um grupo de pessoas esgota-me facilmente; começo a ficar cansada mentalmente porque é demasiada interação pessoal ao mesmo tempo. 
        Assim, não era fácil ter amigos. Nunca foi fácil. Sempre sentia que incomodava se falasse com alguém que não conhecesse. Sentia-me a mais ao falar num grupo de pessoas. O meu coração batia muito forte, o meu corpo chegava a tremer. Ainda me acontece, por vezes. 
       Tudo começou no oitavo ano. Não entrando em muitos detalhes, vi-me sem amigos (ou achava eu que eram amigos). Na minha cabeça, eu estava sozinha. E, num momento em que estás a desenvolver, a criar ideias sobre o mundo, a perceber como tudo funciona, é complicado estar sozinha. Em casa, as coisas também não eram fácies. A diretora de turma obrigou-me a ir à psicóloga, o que ajudou bastante. Ainda assim, as coisas voltaram ao mesmo quando saí do básico e, por sua vez, saí do aconselhamento psicológico.
       As coisas continuaram turbulentas no secundário, ainda que tenha melhorado imenso. Comecei numa turma nova e percebi que EU tinha o poder de controlar se me afetavam ou não, de alguma forma. Ora, o facto de alguém me achar algo só me afeta se eu deixar. Vamos pensar no dia-a-dia: essa pessoa que disse isso conhece-me? Não. Então porque é que devo estar preocupada com o que Y disse sobre mim se não me conhece? Se fosse algum dos meus amigos a dizer isso aí sim, devia preocupar-me. Os de fora falam por falar e tendo a minha consciência tranquila, não me podem afetar.
       Foi na altura do secundário que também percebi, realmente, o que são relações tóxicas. Eu tinha uma pequena noção do que eram por causa dos filmes e assim, mas só por volta do 11º ano que percebi o que realmente era passar por uma coisa dessas. É desgastante, esgota qualquer energia que se tenha, qualquer sentimento positivo que se tenha, mexe-nos com a cabeça de tal forma que não nos apetece falar com mais ninguém, manipula ao ponto de achar que tenho culpa por algo que nem sequer fiz. Então piorou, tudo piorou nessa altura. A minha ansiedade e depressão chegaram a níveis que não tinham chegado antes: não conseguir estudar, sentimentos de culpa, cortar-me, desejar não ter nascido, foi um período intenso de emoções. Tudo isto porque queria ajudar alguém que não queria ajuda e não se importava comigo. Felizmente, percebi a tempo o que era e comecei a deixar a pessoa ir porque, como aquela frase cliché diz, "Às vezes aguentar dói mais do que deixar ir."
       O décimo segundo e o primeiro ano de universidade foram os que me mudaram imenso em termos de comportamento para com a vida. Comecei a sentir-me melhor comigo mesma, aceitar quem sou, aceitar que demoro mais do que os outros mas chego lá. As crises começaram a ser menos frequentes, apesar de serem mais intensas. A pressão de escolher o que queria seguir, ter notas suficientes para entrar na universidade, não entrar na primeira fase de candidaturas, não entrar na segunda, entrar na terceira e sentir-me um alien na turma porque já todos se conheciam, tirar a carta, perder o telemóvel, ir ao meu primeiro exame de recurso. Muitas coisas parecem pequenas em termos de significado e podem não parecer importantes, mas para mim foi tudo muito marcante e stressante.
       Agora é mais do mesmo, sinceramente. As crises são mais espaçadas mas intensas, ou há vezes que passo semanas a ser a pessoa que era antes, sem motivação, a querer acabar com tudo, a remoer sobre coisas que já nem posso mudar. Há dias que os ataques de ansiedade pioram e não sei explicar o porquê de isso acontecer. Há dias que está a correr tudo bem e apenas vou abaixo. Há dias que estou super bem e, no dia seguinte, acordo com o peso do mundo nos meus ombros. Há semanas produtivas, há semanas que quero desistir. Continua a ser uma mistura de emoções e sentimentos.
       Eu tentei medicação. Não funcionou comigo. Sinceramente, nem tentei trocar para outra porque eu não dou com medicação. Tinha medo de ficar dependente e não gosto de tomar comprimidos. Então tentei melhorar por mim mesma. Foi algo que precisava de fazer sem ajudas de terceiros, entendem? Foi necessário para mim mudar a minha perspetiva das coisas. E, desde então, muitas coisas boas aconteceram e é a isso a que me agarro quando estou desmotivada, ou até a coisas que fiz quando estava muito mal: tenho um grupo de amigos bons, escrevi um livro inteiro, fui a Sevilha, Bordeaux com o meu dinheiro, estou num part-time que requere falar com pessoas a todo o momento, consegui comprar roupa com o meu dinheiro, consegui comprar uma máquina fotográfica, estou a conseguir continuar com o blog, cheguei ao terceiro ano sem cadeiras para trás (esperemos que continue assim), tenho um namorado maravilhoso e compreensivo, tenho mais auto-confiança (ainda não estou totalmente no topo, mas vou chegar lá), estou a saber lidar melhor com as pessoas, tirei a carta, passei de caloira a doutora, tento ver a vida de uma forma mais positiva.
       Acho que depressão e ansiedade nunca passam por completo. Vão estar sempre pedaços disso dentro de nós. Eu pensava que tinha melhorado e afinal há dias que sinto-me como antes. Vai estar sempre presente, entendem? Não te definem mas acabam por fazer parte de nós, de uma maneira ou outra. O melhor é mesmo aprender a viver com isso e esperar que boas pessoas apareçam no teu caminho porque, honestamente, isso foi muito importante para mim. Não há nenhum truque secreto para lidar com isto. Então, respondendo ao título: não há uma maneira precisa de como lidar. Ou talvez haja e eu não a descobri ainda. A verdade é que o maior esforço tem de vir de ti porque não importa quantos psicólogos visites ou quanta medicação tomes, nada adianta se tu não quiseres. E não o digo da maneira mesquinha de "a culpa é tu", digo-o como "tu controlas porque o corpo e a mente são teus, só tens de aprender a fazê-lo, demore o tempo que demorar."


          Sempre me impressionou como eu consigo ser tão fechada e o meu irmão tão aberto com as pessoas. Ele é muito conversador, consegue fazer amigos facilmente; por outro lado, eu só falo quando sou puxada para a conversa e/ou se conheço bem a pessoa. A minha mãe sempre comentava "porque não és mais igual ao teu irmão?" porque eu nem bom dia dizia às pessoas porque era envergonhada. Eu não gostava e, muitas vezes, nem conseguia falar com as pessoas, mesmo que fosse só cumprimentar. Quando cresci percebi que as pessoas têm vários tipos de personalidade, e que não devia ter vergonha de ser como sou, porque é algo que me faz única.
           A grande diferença entre introvertid@s e extrovertid@s é que os primeiros não precisam de ter grande estimulação para se sentirem bem, enquanto que os últimos precisam de estar em contacto com as pessoas para se sentirem motivados e felizes.
          Ser introvertid@ não é odiar pessoas, é simplesmente precisar de estar mais sozinho do que rodeado. Sou introvertida, mas isso não significa que não goste de estar com pessoas - só que invés de ser sempre, prefiro de vez enquanto e, de preferência, com as pessoas com quem me dou.
É uma das razões de não sair muito à noite, canso-me de estar fora porque o ambiente não é o mais apropriado para mim, ainda que às vezes precise. Isso não quer dizer que eu não queira ser convidada para coisas e que não aceite sair - nada disso. Apenas significa que, por vezes, vou a eventos, mas saio mais cedo ou precise de me retrair um bocado daquele ambiente.
          Ser introvertid@ não significa odiar falar, apenas não se gosta de conversa fiada. "Então como estás?" O que é suposto dizer se não nos vimos à meio ano e és o vizinho da minha avó? Esta pergunta não faz sentido nenhum se não é para pessoas próximas porque acaba-se sempre por não dizer a verdade toda. "Estou bem." É a resposta automática, estando-se ou não bem. "Como está o teu irmão?" "Bem." E a pessoa fica a olhar para mim à espera que eu desenvolva a conversa quando só me fizeram essa pergunta. Que é suposto dizer? Fazer um relatório sobre os últimos 5 anos dele?
          Ser introvertid@ não é querer estar sozinho, é precisar, em certos momentos, de estar sozinho. As pessoas simplesmente não entendem a diferença entre querer e precisar. Independentemente de tudo, o ser humano sempre precisa de contacto pessoal, um dia ou outro. É claro que há dias que preciso de estar com os meus amigos e conviver com pessoas. Contudo, há outros que preciso de ficar dentro da minha cabeça para organizar as minhas ideias e para recarregar as energias.
           Ser introvertid@ não é ser antissocial, é ser seletivamente social. Este trocadilho encontrei por aqui na internet e gostei imenso. A minha mãe estava sempre a chamar-me de antissocial porque não saia de casa (agora quando saio reclama, enfim. mães). A questão é que antes não tinha pessoas a quem podia chamar realmente de amigos. Foi apenas a partir do secundário que eles apareceram. Pessoas que eram iguais a mim em vários aspetos, não sendo necessariamente introvertidos também. Aliás, pessoas que eu achava introvertidas são, na verdade, extrovertidas. E visse versa. Ser tímid@ não significa ser introvertid@, da mesma maneira que ser social não significa ser extrovertid@. É uma associação errada que a sociedade tem.
          Ser introvertid@ não é ser rude, é ser-se reservado e não confiar demasiado. Na praxe, só porque eu não falava muito, achavam que eu era rude e me achava melhor que os outros. Não. De todo. Eu apenas não tinha confiança suficiente para falar com as pessoas. Eu tinha medo de incomodar com os meus pensamentos aleatórios, tinha medo de dizer a coisa errada, tinha medo de causar uma má impressão. Acabei por causar na mesma.
          Ser introvertid@ não é ignorar as pessoas, é distrair-se facilmente porque estamos a pensar para nós próprios. De todo ignoro as pessoas. (Só às vezes, talvez.) O meu problema é estar muito no meu mundo a pensar em coisas e esqueço-me que estou em público e qualquer pessoa pode se dirigir a mim. Não tenho nenhum letreiro a dizer "Não incomodar." (Se bem que era melhor comprar um). Uso fones para dar a entender que estou a refletir e preciso de estar calada, mas há pessoas que não entendem isso e teimam em falar comigo na mesma e interromper o meu momento de introspeção.
          Ser introvertid@ não é ser passivo e não se impor, é pensar antes de falar. Além de que há pessoas que se expressam muito facilmente através da escrita, mas falham redondamente falar em pessoa. Uma dessas pessoas sou eu. Não consigo falar em pessoa porque me distraio com o nervosismo, com as palavras certas a dizer, com emoções. Cresce um nó na minha garganta que me trava a voz.
          Ser introvertid@ não é implicativo, é mais... um bom julgador de carácter. Isto não é de todo para bagar, por favor, entendam. Às vezes é um pouco incomodativo, para ser sincera. Ora, sendo que obvervamos muito e notamos em pequenos pormenores, aqueles bastante pequenos, torna-se um bocado fácil de perceber as pessoas. Não estou a dizer que os extrovertidos não o façam igualmente, mas demoram um pouco mais de tempo. E tudo bem nisso!
           Percebi imenso sobre mim depois de fazer um teste de personalidade. Teoricamente, há 16 personalidades que abrangem todas as características possíveis. Há os analistas, diplomatas, sentinelas e exploradores. Dentro desses 4, há mais 4 subpersonalidades, devidamente descritas. A minha é o Advogado, dentro dos diplomatas, ou seja, INFJ-T. Isso significa que sou introvertida, intuitiva, sentimentalista, judging (isto é, não se refere a julgar os outros mas sim ao facto de ser organizada, planear com antecedência), e turbulent (sensível ao stress e autoconsciente).
           Também podem fazer o vosso teste aqui. Este site é muito bom porque dá-vos uma boa visão de que personalidade são e, também, mostra-vos que outras celebridades têm o mesmo tipo de personalidade que vocês. Sou basicamente o Jon Snow e o Mandela.

Este silêncio ensurdecedor, a visão está turva da realidade, as pessoas perdem-se em si e nas outras agindo como se estivessem inteiras. Os corpos deambulam entre os deveres e as vontades. O organismo pede combustível feito de sonhos e satisfações, mas anda-se demasiado cansado para contribuir. Os gritos silenciosos rebentam tímpanos, queimam neurônios, quebram corações.
Quem sou eu? O que sou eu? Serei um bom ou mau ser humano? Existe boas ou más pessoas? Existe certo ou errado? Haverá uma definição concreta para o que quer que seja? 
Não sou um comboio com um caminho já tracejado. Não sou um GPS que pode dar as indicações certas. Não sou uma máquina com tudo programado. Tampouco sou o Google com todas as respostas. Não sou um objeto que, sem consideração pelos sentimentos, é utilizado. Quem sou eu, afinal?
Vozes ecoam na minha mente proferindo opiniões indesejadas e conceitos impróprios. A cabeça parece explodir com a fusão de pensamentos alheios. Quem sou eu? Quem são vocês que pensam ter o direito de me ditar? Sou uma democracia em que o coração e a mente lutam entre si pela razão. Alguém, um completo desconhecido. Pensa ter poder suficiente para instituir a ditadura em mim. Não. 
Perco-me por entre os perdidos. Irónico, ou talvez não. As certezas apenas crescem incertezas, criando uma mistura de ideias confusas dentro de mim. Só sei quem fui e não sei quem sou. Quem sou eu? Espero que o tempo me dite qualquer sussurro de uma resposta, alguém que ilumine esta cabeça apagada. 
Às vezes dá vontade de relativizar tudo. Não é bem uma vontade; é melhor usar a palavra "necessidade" para descrever o que sinto. Tenho uma necessidade de relativizar até o relativo, só para atenuar um pouco a dor de tanto tempo a sentir o peso do mundo nas minhas costas. Torna-se difícil quando a tua própria mente joga o jogo das adivinhas ou, até, aquele de somar cada vez mais pensamentos duvidosos para o que já é difícil manusear. Ainda assim, ela continua a criar ficções negadas mas que teimam em aparecer. 
Quem sou eu? Não sei. Sou um ser humano que tenta descobrir, tenta sobreviver, tenta continuar. Sou um ser humano que, no meio do tentar, espera conseguir.

✒ identidade anónima.

by on abril 11, 2018
Este silêncio ensurdecedor, a visão está turva da realidade, as pessoas perdem-se em si e nas outras agindo como se estivessem inteiras. ...
Este post é demasiado baseado na minha vida e talvez seja porque é muito monótoma. Desde pequena que tenho medo de andar de carro por causa de acidentes que já tive com os meus pais e de ver tantos malucos na estrada. Então, tirar a carta foi uma coisa esquisita para mim porque não me sentia pronta mas, ao mesmo tempo, estava descontraída. Já fez 2 anos que tirei a carta e devido ao vasto conhecimento adquirido, decidi partilhar 6 coisas que não me disseram antes de tirar a carta e que me fazia jeito saber.

1. Não vai fazer diferença nenhuma.
Sempre me disseram que quando tivesse a carta que ia querer sair imenso e que não ia parar em casa. Ora, isso até poderia ser verdade, mas visto que não tenho carro próprio, tanto me dá. Não me senti mais adulta por ter a carta, para ser sincera - exatamente porque poucas vezes podia conduzir. Os meus pais quiseram dar-me a carta para não ter de lhes pedir para me levarem a X lugar, no entanto, não tendo carro estou dependente deles na mesma. Senti ainda mais responsabilidades, o que pode ser bom e mau ao mesmo tempo. 

2. Tens de estar atent@ a ti e aos outros.
Quantas vezes ia bater se não tivesse a ver o que os outros "condutores" estavam a fazer... É realmente incrível o que acontece quando as pessoas tiram a carta no Chocapic.  É bastante irritante quando as pessoas não dão pisca a indicarem para onde vão ou quando fazem a rotunda por fora para ir para a segunda ou terceira saída. A melhor, mesmo, é quando ultrapassam ou querem mudar para outra faixa de rodagem e não avisam com antecedência, ou seja, tenho de travar rápido para não causar acidente. E quando não ligam os médios com mau tempo? Ou quando não sabem conduzir com mau tempo? A-d-o-r-o.

3. É IMPORTANTE saber mudar um pneu e outros tipos de manutenção.
Não consigo sublinhar isto o suficiente: é importante SIM saber mudar um pneu ou preencher uma declaração amigável. Caso algo vos aconteça, não têm de andar a pedir ajuda aos vossos pais - o que iria deixá-los preocupados.

4. Passas a ser motorista e moç@ de recados.
Não é preciso dizer muito. Agora sirvo de moça de recados, ter de ir buscar X ou Y porque a minha mãe se esqueceu ou buscar o R porque não tem carta e não tem como ir para o mesmo sítio que eu. (Também tenho de pedir boleia às vezes porque não tenho carro próprio...)

5. Não é o fim do mundo se reprovar.
Falo isto porque em ambos dias que fiz o exame de condução e exame escrito correram-me mal. Contudo, passei nos exames. Mesmo que não passasse, é claro que iria ser mau e chato para mim e para os meus pais mas há sempre a possibilidade de voltar a tentar e melhorar naquilo que erraste. Se eu consegui, vocês também conseguem!

6. És automaticamente ric@.
Basta tirares a carta que já te consideram rica, se tens carro próprio ainda mais rica és. Tantas vezes que assumiram logo que tenho carro só porque tenho carta e isso deixa-me muito confusa porque um não equivale a outro mas as pessoas teimam em mantê-los de mãos dadas. Depois vêm dizer-me "Então? Tens carta e andas de autocarro?"...  ...   ....    ......    ....  Talvez seja porque não tenho carro? E se tivesse? Não tens nada a ver com isso?

Se gostarem deste post talvez consiga fazer um dedicado a dicas para conseguirem passar no código? Não tenho muito a dizer mas talvez ajude alguns de vocês.

E finge tão bem, que chega a fingir que é dor.
E a dor dói por ser sentida e por ser pensada,
dói a alma, doi o coração.
O que é da vida sem um pedaço de alegria
ou um pedaço de tristeza?
Simples seria se estável fosse.
Que piada tinha se não fosse uma montanha russa?
Não é viver se não existe ambos lados,
o bom e o mau, o pior e o melhor.
Da mesma maneira que um
não dura para sempre,
o outro também não.
Demora a entender, demora a processar.
É normal, porque o tempo demora a passar.
Uns dias vão parecer longos,
de tanta dor acumulada.
Outros vão parecer curtos,
de tanta alegria passada.
E assim a vida se estica
com caminhos de pedras
ou daqueles com pétalas de girassol.
Não se pode controlar um,
nem o outro.
É uma coisa que se aprende a lidar,
ou talvez não.
Porque a vida é mesmo assim,
uma mistura de talvez(es) e porquês,
um tirbulhão de sins e nãos,
é uma confusão confusa,
uma forma de aprender.
Não há nada a fazer,
a não ser ir com o mar e flutuar
ou deixar afogar depois de tanto lutar.
O importante é
não desistir mesmo que seja melhor,
não fugir mesmo que seja fácil.
O importante é 
continuar e tentar, 
porque basta um tentar para conseguir.

Chegou a altura de outro evento anual que serve para estorquir dinheiro às pessoas, o normal não é verdade? A Páscoa é uma espécie de Natal mas na primavera, entendem? (Ainda que este ano seja no inverno prolongado.) Há várias coisas que tanto acontecem numa festividade como noutra e, infelizmente, passo por elas. De uma maneira desordenada, aqui estão as tragédias que acontecem na Páscoa:

1. Lembretes Anuais.
Ou seja, quando o pai do tio da tua prima se lembra de ti e dá amêndoas ou um ovo da páscoa, mesmo não falando contigo durante o ano inteiro (e que, já agora, este presente serve para compensar aquelas besteiras que dizem aos teus pais sobre o rumo da tua vida ser demasiado incerto ou não funcionar). 

2. Abençoada Sejas Carteira Família.
A partir do momento que alguém te dá algo, senteste na obrigação de dar algo de volta. E o problema é que, pelo menos comigo, não aguento dar algo assim só porque sim, mesmo que a outra pessoa o tenha feito. Tem de ser planeada e elaborada.

3. Finanças arruinadas.
Ora, esta, sem dúvida, vem bastante de encontro com a anterior. Em Dezembro fui aumentada (para o salário geral, mas é aumento não é verdade) e, finalmente, já consegui dar prendas de jeito no Natal. Contudo, deixou-me assim um pouco... tesa. Ainda estou a recuperar das prendas de natal e já tenho de dar amêndoas e coisas dessas... Ainda com os aniversários antes e depois - sim porque, para compensar, os pais fizeram os filhos todos no verão para nascer nesta época. 

4. Afortunada Tiazinha.
Ao contrário de ti, há sempre aquele familiar que tem dinheiro para dar ou sente-se extra generoso nestes eventos. E ainda que sintas pena porque não podes retribuir, dá aquele gostinho de receber algo que não tenha sido os teus pais a dar-te (os meus não dão nada então... nem no dia da criança me dão, acham isto bem?)

5. Barriga Cheia, Alimentação Feia.
Natal, Páscoa, Aniversários. É assim uma coisa que ocorre durante o ano todo e eu não consigo simplesmente evitar e não comer. É uma desfeita que faço às pessoas terem tanto trabalho a colocar uma mesa rica em comidinha boa e não comer, não é verdade? É de má educação tal ato. Então eu como. Depois vou à casa da minha avó e como. Depois à casa do tio e como. Depois à casa da tia e como. Depois à casa do vizinho e como.
O lado positivo é que poupa-se dinheiro no jantar do dia de Páscoa porque o lanche já chega para esse dia e quase uma semana depois.
O lado negativo é que não consigo trabalhar na barriguinha sexy porque não quero ofender as pessoas.

De qualquer maneira, comam. E boa Páscoa, jovens!
Há dias que se acorda a saber exatamente o que fazer, exatamente quem se é. Há outros que apenas se acorda. Há dias que dá vontade de subir ao topo do mundo. Há outros que apenas se consegue respirar, e já é pedir muito. Há dias que dá vontade de chorar, há outros que o sorriso não parece querer desaparecer. Há dias que o sono é arrebatador, há outros que a energia é tanta que é pena não haver mais horas. Há dias que não sei quem sou, há outros que as certezas que surpreendem.
É preciso se perder para se encontrar, não é isso que dizem? Pois bem, eu quero perder-me em livros, em filmes, em música, em viagens, em pessoas. Quero descobrir novas mentalidades, quero abrir os meus horizontes, quero viver aventuras, quero sair da minha zona de conforto.
Quero encontrar-me.
Sou um impasse ambulante, uma contradição humana, uma criação inconclusiva. Sou pedaços colados, obtidos por tudo o que vi, passei e sei. Há sempre algo do passado e do presente que se ganha e se junta ao que sou. Sou uma mistura de tudo, tendo um propósito singular. Cada pessoa, cada encontro, cada filme, cada viagem, cada livro, cada ser deixa sempre uma marca em mim, em toda gente, de maneira diferente. É isso que nos define, a maneira como cada coisa nos marca.
Cresci, melhorei, aprendi. Sempre. Estou melhor que antes, mas estou pior do que era. Ao mesmo tempo, mal progredi. Sinto-me presa a um passado que acabou por se tornar o meu presente, com algumas diferenças. 
Quero desistir, por vezes. Não consigo, simplesmente não combina com o meu ADN. Talvez devesse parar de ser uma mera passageira e ser, finalmente, a condutora. Mesmo não tendo carta ou quaisquer direções do caminho. Afinal, ninguém tem. Certo? Ou assim espero. 

✒ sou pedaços colados.

by on março 28, 2018
Há dias que se acorda a saber exatamente o que fazer, exatamente quem se é. Há outros que apenas se acorda. Há dias que dá vontade de sub...
Um conceito: está a chover lá fora, estou a beber um chocolate quente e a ler um livro interessante, o meu coração bate ao seu ritmo normal, a minha cabeça apenas pensa no que irá acontecer a seguir na história - não estou stressada. Seria bom que assim fosse.
Vi um pequeno desabafo de alguém no tumblr que dizia o seguinte, traduzido "Porque estar no início dos 20 parece tanto que apenas restam 5 anos de vida para alcançar o máximo que se pode? porque é que sinto que me aproximo de um prazo para o sucesso?"
Talvez o problema seja mesmo nós, como pessoas. Vê-mos outros a conseguir o que nós queremos, a avançar tão rapidamente no seu caminho que nos esquecemos do nosso. Estagnamos. Ficamos parados a ver os outros a viver, e nós continuamos apenas a... sobreviver. É complicado ver alguém a conseguir o nosso sonho, a conseguir quase de imediato (ou assim pensamos) aquilo que tanto esforço requer de nós. Dói no nosso ser, como se não fossemos suficiente. É aquela dor amarga que parece não sair, por muita água que se beba.
A verdade é que iremos sempre percorrer o mesmo caminho em ritmos diferentes. Já o disse antes, e vale sempre a pena relembrar. Eu preciso de relembrar. Está tudo bem se não chegar lá primeiro, desde que chegue. O importante é continuar, mesmo que seja devagar, muito devagarinho.
Estava a ter uma conversa com uma amiga minha e contei-lhe sobre uns planos que tenho para o blog. Ela começou a dizer-me que estava orgulhosa de mim por estar a seguir o meu objetivo e eu disse que também estava orgulhosa dela. A resposta da minha amiga foi "Eu realmente não fiz nada, mas obrigada." Um pouco mais à frente disse "Well mas respirar não é grande feito ahaha". E foi aí que se enganou.
Já disse há uns posts atrás que é preciso mudar-se de atitude. Não basta desejar querer algo que irá aparecer no nosso colo. Obviamente que a vida não funciona assim. É necessário mudar o que está de errado na nossa vida. Acredito no destino e que está tudo planeado de uma certa maneira, no entanto, tu tens o poder de o mudar se assim o desejares.
Contudo, é preciso valorizar-se as pequenas vitórias de maneira a valorizar as grandes e de haver motivação para conseguir seguir em frente. O quão difícil é, por vezes, sair da cama porque parece que o mundo caiu sobre os ombros? Até respirar acaba por se tornar um grande feito, sim
Esta fome por se ser um génio e o primogénito de algo incrível acaba por consumir o nosso bem estar e a nossa razão de querer ser e conseguir mais. Admito: dá vontade de desistir quando um certo post não tem visualizações e esforcei-me imenso para o escrever, ou quando estudo imenso para um teste e não tenho a nota esperada. É aquela dor que não dá para descrever concretamente. Apenas sabes que é algo que devias fazer bem mas, mesmo sendo aquilo que é suposto ser, não consegues fazer. E a vergonha cresce ainda mais que a dor porque falhaste.
Ainda assim, não é isso que nos ajuda a melhorar? Não é com os erros que aprendemos? E se correr mal? Tens outra tentativa, certo? Podes tentar de novo, mas de uma forma melhor. Se for feito com o coração e erraste, ao menos foi feito com o teu interior, e isso ninguém te pode tirar. 

✿ o prazo do sucesso.

by on março 24, 2018
Um conceito: está a chover lá fora, estou a beber um chocolate quente e a ler um livro interessante, o meu coração bate ao seu ritmo norma...
(foto retirada do tumblr)
Tenho quase a certeza que tu sabes o que quero. Consigo ver nos teus olhos, a forma como me observas. Tu sabes que os meus pensamentos são rápidos e férteis, demasiado para o meu próprio bem. Se os deixasse tornar realidade, já estávamos os dois bem longe daqui, numa dança de corpos e sensações. De novo. De novo. De novo.
Não precisas de ser vago sobre o que queres. É mútuo. Senti-o quando me tocaste no meu pescoço enquanto me falavas. Achas que não percebo? Achas-me assim tão inocente para não entender o calor que provém de ti, o fervor que nasce em mim? Sou inocente em vários níveis, não neste. Posso trincar-te? Estou faminta. 
De nada me adianta tentar esconder que te quero. Estou pronta para me render. Rendo-me ao caótico e a ti. De novo. De novo. De novo. Quando mais negasse, mais perdia o tempo que poderia usar contigo, não é verdade?
Tudo o que preciso é que te aproximes, mais de perto. Ainda mais. Quero sentir. Faz-me sentir. Pressiona-me, não é com pressão que os diamantes são feitos? Faz-me. Faz-me diferente. Temos a noite toda, e ainda mais. Aprofundar o conhecimento de anatomia. Preciso de explicações, mas só aprendo com aulas práticas, não te importas? Talvez uma, duas, quatro, seis aulas. Ou mais. Sou uma aprendiza lenta. 
Posso conduzir-te, se quiseres. Não só para minha casa, mas pelo meu corpo. Vá, toca-me no pescoço de novo. Não com os teus dedos, esses vão estar ocupados. Beija-me. Explora-me.  Mergulhar na escuridão, mergulhar um no outro. De novo. De novo. De novo.
Não me deixes respirar, depois fazes respiração boca-a-boca. Não falemos, o silêncio pode manter-se enquanto me tocas. Silêncio não haverá, no entanto. Faz como te digo: menos palavras, mais ação. Já chega da tua argumentação, o que importa agora é o desempenho. 
Parece que encontrei uma nova obsessão, vamos por os meus pensamentos em prática ou ainda queres provocar mais? De qualquer maneira, serás meu. De novo. De novo. De novo.

✒ De Novo VII

by on março 21, 2018
(foto retirada do tumblr) Tenho quase a certeza que tu sabes o que quero. Consigo ver nos teus olhos, a forma como me observas. Tu sabe...

Eu realmente não sei se o meu namoro é considerado à distância... Ele trabalha noutro país e vem cá uma vez por mês, durante 2 dias, se tanto. Ainda assim, é complicado lidar com tantas emoções ao mesmo tempo porque tanto o quero perto como, ao mesmo tempo, aceito o facto de não o poder ter por perto; tentar controlar-me para não estar constantemente a dizer que tenho saudades dele mas querer que ele saiba que não o esqueço; tentar acalmar a saudade e não conseguir; ultrapassar o facto de que não pode estar aqui em momentos importantes para mim. Há dias que dá vontade de chorar porque vejo as pessoas juntas e eu não posso estar com ele. É complicado. Podia ser pior: é o que digo a mim mesma todos os dias. 
Muito brevemente, não há um manual para namorar, muito menos para namorar a longa distância. Como ele me disse, "sei lá como fazer, apenas fazemos". 

1. Paciência.
Uma relação baseia-se em muita coisa, uma delas é a paciência. A paciência ajuda-te quando a tua cara metade faz algo, mesmo que sem querer, te deixe mal. Seja a longa ou curta distância. Seja numa relação amorosa ou de amizade. É necessário haver controlo sobre o que fazemos e dizemos porque primeiro temos de entender a ação da pessoa e entender se percebeu o que fez. Para ela, até pode não ter tido qualquer significado, mas pode ter magoado. (Ainda que isso não seja desculpa para tudo, é preciso ter, também, um pouco de discernimento para entender os sentimentos da outra pessoa e perceber o que magoa ou não.)
Ou quando a pessoa demora a responder às mensagens ou chamadas, é normal. 

2. Aproveitar os pequenos momentos.
Como passo pouco tempo com ele, isto foi o que mais acabei por agarrar para controlar a minha saudade. Aquele tempinho a ver televisão, ou quando ele está a jogar, ou quando acabas por adormecer a ver um filme, ou quando ele te faz o lanche, ou quando te leva a casa, ou quando vão ao centro comercial, ou aquela mensagem de bom dia, ou o "amo-te" num momento aleatório, ou quando se lembra de ti quando vê algo. Há sempre pequenos pedacinhos dá para aproveitar e aquecer o nosso ser. 

3. Ele não me lê a mente.
Há coisas que tu acabas por aprender em qualquer tipo de relação, é normal. Acho que este é uma das mais importantes, em qualquer uma. Ele. não. lê. mentes. Por muito que te conheça e acertes em algumas coisas em que penses de vez enquanto, ele nunca irá ler a tua mente. Principalmente, se tu disseres uma coisa e sentires outra - coisa estúpida de ser fazer. Dá para entender uma coisinha ou outra pela maneira como alguém está. Quando a pessoa nem te consegue ver, torna-se ainda mais complicado perceber certas coisas. 

4. C-o-m-u-n-i-c-a-ç-ã-o.
Ou seja, a último ponto vem de encontro com este. Já que a pessoa não consegue ler mentes, é preciso haver comunicação, exprimir o que se vai no coração e na mente. Se estiveres zangada com algo, fala. Se tiveres saudades, fala. Se te fez feliz por aquela mensagem especial e diferente, fala. Não há nada melhor do que ter alguém ao teu lado e, ainda, poder esvaziar a tua mente a ele, sem quaisquer julgamentos. 

5. É verdadeiro.
Ou talvez não seja.
A verdade é que, distância ou não, nunca se sabe realmente se é verdadeiro ou não e isso é importante de se saber. Não me interpretem mal, não estou sempre a pensar que amanhã vou acabar e que nos vamos separar, não é nada disso. No entanto, é necessário ser realista e perceber que há essa possibilidade mas que isso não pode estar constantemente na tua mente. Acreditem ou não, os primeiros quatro meses de namoros foram cerca de 90% eu a pensar que o ia magoar porque, na minha mente, as pessoas afastam-se de mim por minha causa.
Ainda assim, há sempre aquele bichinho fofinho a dizer que é verdadeiro porque, caso contrário, estaria comigo para quê?

6. Imaginação ainda mais fértil.
Não sei se isto é normal ou não, mas há momentos que sinto o perfume dele em algo. Não sei como, apenas acontece. Eu acho que é a minha imaginação a pregar-me partidas, mas também pode ser que ele se teletransporte, ponha perfume à minha volta e vá embora. Tudo pode acontecer não é verdade? 
Há aqueles momentos, também, que estás tão emergida na tua mente a imaginar momentos com ele que acabas por te distrair durante as aulas, o trabalho, o caminho para casa. Acontece, não é verdade?

7. As pessoas são irritantes.
Esta já toda gente sabe e até pode parecer não ter nada a ver com este assunto, mas tem. A velha frase que equivale a querer mandar alguém para debaixo do inferno: ele vai-te trair. Não basta estares já sem o ver há semanas, ainda há aquela pessoa irritante que gosta de se meter na vida dos outros e de meter nojo que diz isso. Depois, o problema é que não é só uma pessoa, são várias. A razão de ele me trair? Só porque é rapaz e está longe de mim. Sim! Eu não traio e, mesmo que ele estivesse perto de mim, não me iria trair. Não gente. Nada disso.

Primeiro de tudo, o melhor é mesmo explicar o que é um bullet journal: é uma agenda personalizada por ti. És tu quem cria tudo, literalmente. 
Foi um conceito que já comecei há um ano e, admito, ao início era um pouco esgotante estar sempre a fazer a mesma coisa para me organizar. No entanto, tornou-se bastante relaxante e motivador porque percebi que não tinha de usar apenas como agenda, podia escrever e usá-lo como eu quisesse. 

Eu tinha visto muitos antes de começar, para ter uma ideia do que queria fazer. Há imensos journals muito bonitos e elaborados, e eu sendo prática não me imaginava a fazer nenhum deles. Comecei a procurar os layouts minimalistas e simples, fáceis de reproduzir sem ser preciso canetas especiais ou algo de extravagante. No início usava só um caderno quadriculado da marca Staples e as suas canetas de gel. Usava uma ou outra caneta de cor, mas não estava a ser o suficiente para mim. Então, no início deste ano, decidi tentar algo melhor.

Ao longo do tempo fui comprando washi tapes ou oferecendo-me. A minha coleção é relativamente pequena: tenho 10 apenas, o suficiente para ser sincera. As canetas de gel da Staples são fantásticas - as primeiras que me conquistaram visto que sempre me faziam impressão pois borratavam tudo. E tenho o set de 30 canetas coloridas da Staedtler. Ainda assim, agora prefiro usar lápis de cor (sim, porque redescobri que tenho imensos e gosto mais do efeito que faz no papel).

O meu novo journal é um sketch book da marca CANSON. Andei um ano à procura de um bom caderno visto que queria as folhas espessas e a capa dura. Demorei um tempo habituar-me ao facto de não ter quaisquer linhas de indicação, visto que é branco. Ainda assim, valeu a pena. O caderno custa por volta de 5€, uns cêntimos a menos, e comprei numa loja em Braga chamada GANDIAS. Eles vendem muito tipo de material escolar e coisas para desenhos, TUDO. FALEI com a loja e eles informara-me que têm 3 lojas em Braga e, ainda, vendem pela página do facebook para outros cantos do país!
Esta é a minha "capa". Não, não sei desenhar, apenas desenhei enquanto via um tutorial de como o fazer. A mão está a tapar informação importante, caso eu perca o caderno, para poderem devolver-mo. 
Coloquei apenas um calendário logo a seguir para poder sinalizar as férias, feriados e o fim e início do semestre, de forma a orientar-me caso seja necessário.
Logo a seguir coloquei uma quote que já tinha no journal antigo, "Aim for greatness", isso é, "Aponta para a grandiosidade." e coloquei tudo o que pretendo fazer, todos os meus objetivos a longo, médio e curto prazo. 
Na página ao lado escrevi tudo o que já tinha conquistado e feito para me lembrar que se fiz X, também consigo fazer Y. Apenas tenho de me lembrar de quem sou e lutar para ser quem quero ser.

Estas duas páginas servem apenas para me pôr a par do que já li e vi, aquilo que quero ler e ver. Há quem faça estas "listas" sobre várias coisas: amostras de maquilhagem, de vernizes, tipos de caneta, cores de canetas, tudo.
Esta páginas é bastante colorida e uma das minhas favoritas. Aliás, todas elas são as minhas favoritas. A primeira, como o título diz, é um mood tracker, ou seja, uma forma de registrar o meu estado emocional durante o ano inteiro. A segundo é a página dos dinheiros, onde registo quanto ando a poupar e aquilo que quero comprar.
Esta eu espero MESMO ser capaz de a preencher tudinha! Imprimi dois mapas - mapa da Europa e o mapa de Portugal - pois gostava imenso de explorar o meu continente e o meu país. Como podem ver, ainda só fui a dois sítios de ambos os mapas.
Este é um cantinho especial para mim, é o que o meu lugarzinho de ideias aqui para o blog. Há muitas coisinhas que estou a tentar trazer para aqui e tentar melhorar, prometo! E caso tenham ideias para blog posts, não se esqueçam de me dizer!
Uma coisa boa é que podes usar qualquer coisa para apagar os erros que fazes no bullet: por exemplo, eu fiz asneira na segunda página, então, usei washi tape e papel de embrulho para tapar e fazer algo mais bonitinho.
Nestas páginas pedi a dois amigos meus que fizessem algo que os fizesse lembrar de mim e saiu isto. Tenho amigos talentosos, eu bem sei. Na verdade, uma delas tem um instagram recente que irá dedicar aos seus desenhos e a algo mais, se tudo correr bem! Podem visitar o cantinho dela aqui, em breve terá obras dela. O desenho da esquerda e mais podem encontrar aqui.
Brinquei imenso com o layout mensal, para tentar perceber o melhor para mim. Usei isto para implementar os dias da semana em alemão - a língua que quero aprender. É uma forma útil de relembrar a língua e de a usar. Na segunda imagem, novamente, fiz asneira ao fazer os quadrados. Assim, desenhei folhas para disfarçar o erro. Decidi, também, fazer os quadrados mais pequenos e separados entre as folhas, já que não dava jeito nenhum escrever nos quadrados das quintas-feiras.
Ao fim do layout mental, coloquei um novo tracker para coisas mais pequenas e um lembrete do que devia fazer naquele mês. A página seguinte é uma que me dá imenso jeito visto que, apesar de estar na universidade, as faltam continuam a contar para algumas disciplinas. Às vezes dá aquela vontadinha de ficar em casa, ou quando se está doente, e assim consigo manter-me a par de quantas faltas dei e quantas ainda tenho para dar.
Experimentei, também,com o layout semanal. A primeira semana sobrou-me um espacinho, o mesmo que decidi preencher com um post it para anotar os trabalho de casa que os professores marcavam. Continuei a fazer isso porque, realmente, dá imenso jeito ter algo à parte para saber tudo o que tenho de fazer para a próxima aula/semana.
Usei, novamente, o papel de embrulho (comprado na Tiger) para corrigir um erro que fiz com os números. No entanto, gostei tanto do efeito que coloquei nas semanas seguintes.
Em Março fiz tudo bastante simples, não estava com cabeça para extras. Coloquei apenas uma quote que diz, traduzido: É apenas um mau dia, não uma má vida.
 Este pedacinho fi-lo ontem, para ser sincera. E simplesmente adorei. A primeira parte tem o que preciso de fazer este mês e pensei em focar-me em apenas 4 pequenos hábitos invés de ter tanta coisa para me lembrar durante o mês todo. Acho que assim será melhor para, também, me manter a par. Coloquei uma secção para os posts que irei publicar. O exercício físico é uma coisinha nova que estou a tentar pois vi este plano num site e decidi tentar fazê-lo.
A página seguinte é dedicada aos meus essays (trabalhos). Vai servir para escrever informações como o tema, nr. de páginas, data de entrega, planear o essay, livros que possa encontrar, tudo. Como só tenho 3 trabalhos este semestre, só fiz 3 separações.
E este foi o layout que decidi experimentar este mês. É mais compacto e fácil de fazer, ocupando apenas uma página para cada semana. Novamente, aquele pedacinho de papel para mostrar os números e o post it para os trabalhos de casa.

Podem, ainda, ver um vídeo que fiz para mostrar melhor o bullet journal. Espero que tenham gostado!

✿ o meu bullet journal.

by on março 14, 2018
Primeiro de tudo, o melhor é mesmo explicar o que é um bullet journal: é uma agenda personalizada por ti. És tu quem cria tudo, literalme...

           Este post até vem de encontro com um que fiz em Dezembro e eu sei que devia tê-lo publicado logo a seguir a esse. Contudo, e não sei porquê, o momento não me pareceu adequado. Um pouco estúpido, eu sei.
          Já passaram dois meses desde o início do ano e honestamente, não sei por onde ando porque este ano vai ser e está a ser confuso. Não consigo encontrar motivação nem para escrever (como se tem notado com a falta de publicações no blog). Não consigo concentrar-me para estudar ou para fazer algo produtivo. Tem sido exaustivo tentar e não conseguir. Parece que esta é a altura certa porque este post não é apenas para quem o lê, mas para mim também, para me lembrar do que quero.
        Como tinha escrito, as pessoas não conseguem parar de reclamar com o ano inteiro porque simplesmente não fazem nada para o melhorar. Não é suposto ser generalista, okay? Eu bem sei que há gente que tenta e não consegue, eu compreendo. No entanto, após o post que fiz percebi que não sou a única a pensar da mesma maneira. Temos de mudar de atitude se querermos ser melhores. E acabei por me esquecer disso. Viver do pessimismo apenas traz exatamente isso: pessimismo. Então decidi juntar um pequena lista sobre pequenas coisas que podes fazer para melhorar o teu ano. Não são coisas propriamente extravagantes, eu sei. Também não queria fazer nada disso porque o melhor está no simples. São pequenas ações que se pode ter todos os dias e ajudam bastante - ou, pelo menos, a mim ajudaram.

1. Sorri.
Cliché, como sempre. No entanto, não pude não acrescentar aqui e fazê-la a primeira da lista. Sorrir pode trazer rugas ao teu rosto mas traz bem estar também. Custa rir quando só te apetece chorar, obviamente. Não me interpretem mal, chorar é ótimo; limpa a alma e as impurezas dos olhos (pessoas que usam maquilhagem percebem-me nisto). Mas sabe tão bem quando consegues converter a tristeza em tranquilidade. Reparo que tantas vezes que acabava por desabar com pequenas coisas, agora consigo acalmar-me e usar a razão para me trazer sossego para a minha mente e o meu coração, que tanto precisam. Além de que sorrir pode fazer outras pessoas sorrirem também. 

2. Pensa positivo.
É bastante óbvio e parece fácil, mas não é. Leva imenso tempo de prática, há imensos pensamentos negativos antes de conseguir chegar aos positivos. Agradecer todos os dias. Novamente, parece fácil, mas às vezes é bastante difícil ter algo para agradecer todos os dias. A partir do momento que optei por agradecer e trocar os meus pensamentos para uma atitude mais leve e otimista, um peso levantou-se das minhas costas. Ainda custa alguns dias, como é óbvio. Há dias que a minha mente ainda brinca comigo e não me deixa trocar de comportamento, mas melhorou bastante. 

3. Tem objetivos (reais) - e luta por eles. 
Com o virar do ano, as pessoas tendem a criar objetivos e metas bastante... irrealistas, por vezes. Tanto que nem sequer chegam a trabalhar para as atingir. Muda isso. Foca-te naquilo que consegues fazer e consegues trabalhar e esforça-te para realizar o que sonhas. Faz um dream board se te ajudar a lembrar-te do que tens de fazer para chegar ao que queres.

4. Dá mais passeios.
Isto é algo que também tenho de melhorar e parece bastante simples mas, não é. Ora, há sempre aquelas semanas que só há vontade de ir para debaixo dos lençóis ou estás num nível de stress tão alto que não há tempo nem para respirar. E é aí onde os passeios entram: eles acabam por nos acalmar porque estás focado(a) noutra ação e ajuda na concentração e procrastinação. Vai até ao parque mais próximo, leva o teu animal de estimação, um livro para ler. Sai de casa.

5. Sai do normal. 
Uma coisa que me fez bem apesar de me fazer sentir mal ao início foi sair da minha zona de conforto. Foi difícil porque ter de sair da minha bolinha podia correr mal. Tentar coisas novas é complicado porque podem não dar certo. Contudo, está tudo bem se correr mal! Ser humano é errar, errar até tentar porque basta um tentar para conseguir.

6. Aprende algo novo.
Uma nova língua, um facto aleatório, como pintar com aguarelas, como desenhar, como escrever um livro. Há mil e uma coisas que estão ao nosso alcance para aprender e saborear o processo. Há imensas plataformas para nos ajudarem a aprender, tal como Duolingo (línguas) ou Skillshare (desenvolvimento pessoal, arte, tecnologia, tudo). Ajuda a sair um pouco da rotina de trabalho e/ou da escola e ajuda a tua mente a continuar aguçada.

7. Foca-te no presente.
Não consigo sublinhar o suficiente o quão este ponto é importante. Não me interpretem errado: tanto o passado como o futuro são importantes, um porque te faz corrigir os erros do outro. O passado serve só para isso: aprenderes com ele. De que vale estar a lamentar com o que se passou antes se já não o podes mudar? Dói, claro que dói. Mas irá doer mais se te focares tanto no passado que acabas por perder o presente todo. Foca-te no que podes mudar, no presente. É a única coisa que tens garantida.

8. Dia Especial do Eu.
Ainda estou a tentar trabalhar nisto, também. Aliás, tudo o que refiro aqui continuo a tentar porque, obviamente, não se consegue aplicar todas estas pequenas ações de um dia para outro. Ando a tentar reservar um dia da semana só para me cuidar, isto porque é necessário cuidarmos de nós mesmos para também poder ter uma vida equilibrada. Num dia da semana, arranjo um tempinho para fazer uma máscara facial, colocar óleo de coco no cabelo para o hidratar, tomar um banho longo e relaxante, esfoliar, colocar hidratante no corpo e cara, todas essas leves atitudes que me ajudam a preparar para a semana seguinte e a parar para ter um tempinho só para mim.

9. Bullet Journal.
Devo dizer que eu não sou de todo artística e nem tenho jeito para desenhar. Ainda assim, o bullet journal (ou journal em geral) é bastante bom para me melhorar. Em breve farei um post mais detalhado o conceito é basicamente uma agenda personalizada a teu gosto. Podes fazer o que quiseres, literalmente. Basta ter um caderno e uma caneta. Acabei por aderir a este pequeno projeto pois, a início, usava-o não só para me organizar, mas também tinha uma pequena sessão ao fim de todas as semanas para escrever uma pequena nota. Essa nota variava entre o que houve de bom e o que poderia fazer para melhorar. Era bom porque tinha um feedback de mim mesma e analisava aquilo que podia fazer a mais.

10. Inspira-te.
Isto acaba por acontecer quando aprendes algo novo e sais fora da tua zona de conforto. Há sempre algo que te vai inspirar, talvez o quão bem te faz sentir o facto de ultrapassar um medo ou fazer exercício físico, até. Faz um vision board, isso é, um quadro onde colocas fotografias dos teus objetivos ou fotografias que te inspirem. No meu caso coloquei, adicionalmente, fotografias de coisas que consegui para mostrar a mim mesma que se consegui X, posso continuar e conseguir Y. 
Vou ser honesta, eu realmente não sei o que fazer com este post, tal como não sabia o que escrever no anterior. Tenho ideias para publicar aqui no blog mas parece sair tudo mal, como se as ideias não fossem boas. O pior de tudo é que deixa a vontade de lado que tenho de evoluir este meu cantinho. Deixa a vontade de lado sobre tudo, para ser sincera. Sinto que não estou pronta para o último semestre de licenciatura, porque é mesmo o último. É a última vez de dar o meu melhor, é a última vez que tenho paz porque tenho de decidir o que quero a seguir. Já escrevi sobre isto milhares de vezes, eu sei, e parece tão estúpido como da primeira vez. Estou confusa. E há dias que tenho a certeza do que quero fazer mas há outros que fico confusa de novo. É um ciclo vicioso que desperta frustração em mim, a mesma frustração que me impede de fazer algo produtivo. Há um pequeno vazio dentro de mim que está a crescer e não sei mesmo como o impedir. Não consigo evitar o pensamento de que o meu futuro está totalmente nas minhas mãos e se o estragar a culpa é apenas minha. E este sentimento de inutilidade não desaparece, não há maneira de o mandar embora. Honestamente, há dias que parece que até as coisas em que era relativamente boa ou que gostava comecei a desaprender. Escrever? Não sei o que é isso, soa tudo tão parvo. Fotografia? Fica tudo mal. O meu coração aperta de tanto pensar e de tanto imaginar o quão mau tudo pode correr. Nunca fui uma seguidora, mas também nunca fui uma líder. Ando sempre entre o meio de tudo, não consigo ter uma certeza de nada. O que é que eu sou? Pensava que as crises existências apareciam aos 50 anos, quando já se viveu quase uma vida e se pensa se realmente foi viver. Aqui estou eu, com 20 anos de idade, a tentar decifrar o que raio quero fazer, com meias-certezas e total mixórdia de pensamentos e sentimentos. Acho que, de qualquer maneira, a única solução é esperar. 
Ou talvez não.
Porque nem para isso tenho convicção.
Honestamente, dói. Não sei bem o quê, apenas dói cá dentro. A cabeça, o coração, os pulsos, alguma coisa dói e eu não sei o quê. Dá uma vontade de chorar porque eu não sei o que dói e quando penso na dor, parece que existe mil e uma dores antigas para chorar por elas.
Não faço a mínima se estou a fazer sentido, eu só quero desabafar sobre o que sinto mas não o consigo fazer a alguém específico porque estou cansada de julgamentos. 
Tenho medo de voltar ao meu estado antigo, aquele ser sozinho e triste que não sabia como viver. Esse medo está a crescer cada vez mais e, com ele, mais pedaços de quem era cresce também. Talvez seja da minha cabeça, como tudo sempre o é. É sempre tudo da minha cabeça, até ao momento que não o é. E se, desta vez, não é?
Voltaram os momentos em que duvido de mim mesma - constantemente. Nunca parei de duvidar, na verdade, mas eram menos frequentes. Nunca fui suficiente, só o tenho de aceitar, certo? Ou talvez seja mais que suficiente só que não o veem, certo? Mas são tantas as vezes que a mesma coisa acontece que parece ser mesmo culpa minha. A culpa é minha de não ser suficiente, sempre será minha.
Desta vez não há personagens para te esconderes por detrás para falares aquilo que sentes. Há apenas tu e o teu coração a transmitir, a tua mente a baralhar, os teus olhos a esbordar. Não tens como fugir do que sentes porque, como podes ver, sempre volta para te assombrar. Habitua-te. A tua vida não é aquela história que criaste com os amigos a fazerem surpresas fofas, ou a rapariga a ser surpreendida pelo rapaz todos os dias. As pessoas não vão estar sempre lá para te dar o que precisas, têm a sua própria vida.
Para de te comparar aos outros ou àquilo que tu imaginas eles serem. Só porque o namorado publica um texto enorme sobre aquela rapariga que tu segues, não quer dizer que eles estejam mesmo bem. Só porque X faz uma publicação dedicada à sua amiga, não quer dizer que elas sejam realmente amigas. Sim, tudo isso é bonito e desejas que te aconteça, mas pode não ser genuíno. A apreciação da tua vida feita por aqueles que metem gosto não devia ser algo que tu queiras, ainda que faças parte das redes sociais.
De nada te adianta lamentares o que os outros pensam de ti, mesmo que não seja verdade. Não és suficiente? Habitua-te. Não tens atenção? Habitua-te. Não és quem querem que sejas? Habitua-te. Insultam-te mesmo não te conhecendo? Habitua-te. Dás mais de ti do que recebes? Habitua-te. Habitua-te enquanto tens tempo porque depois dói demasiado quando acontece. Ou talvez já seja demasiado tarde para isso.

✿ um desabafo sem sentido.

by on fevereiro 01, 2018
Honestamente, dói. Não sei bem o quê, apenas dói cá dentro. A cabeça, o coração, os pulsos, alguma coisa dói e eu não sei o quê. Dá uma v...